Evento internacional reúne 2 mil competidores e 800 robôs de 40 países em Salvador
Pela primeira vez na história da RoboCup, conhecida como a "Copa do Mundo de Robôs", o Brasil venceu uma disputa inédita na competição internacional realizada em Salvador. Os brasileiros trouxeram e conquistaram a nova modalidade de robôs voadores, demonstrando liderança tecnológica no evento que reúne mais de dois mil competidores de 40 países e segue até esta segunda-feira (21).
O torneio, considerado o maior do mundo em robótica e inteligência artificial, acontece no Centro de Convenções de Salvador e conta com a presença recorde de 200 brasileiros, distribuídos em 45 equipes. É o maior número de representantes por país na edição de 2025, superando em 20% a participação da delegação nacional no ano anterior, em Eindhoven, na Holanda.
Na categoria de drones criada por brasileiros e disputada pela primeira vez na história da RoboCup quatro equipes competiram, sendo três brasileiras e uma australiana. A proposta da prova é desafiar drones autônomos em missões de resgate, entrega de kits de primeiros socorros e inspeções em locais de difícil acesso. A Bahia participa com a equipe Bahia RT, da Uneb, como única representante regional.
“Essa é uma tecnologia voltada para cenários reais, como enchentes ou incêndios, onde o drone pode substituir o humano em situações de risco. A ideia é que ele interprete comandos não verbais e consiga tomar decisões autônomas em ambientes inóspitos”, explica José Grilmaldo, organizador local da RoboCup.
De acordo com Rafael Lang, vice-presidente da RoboCup Brasil, o objetivo é preparar robôs para reagirem de forma inteligente diante de situações críticas. “Cada um dos desafios representa algo que o robô precisaria fazer em uma emergência real. E quanto mais autonomia, melhor”, disse ele. Se bem avaliada, a categoria de drones poderá se tornar permanente nas próximas edições do torneio.
Além da nova modalidade, o Brasil disputa todas as 15 categorias da RoboCup. Entre os destaques estão os robôs que jogam futebol humanoides e não-humanoides, com histórico de conquistas em edições anteriores. Em 2025, os principais adversários voltam a ser os alemães, assim como aconteceu na Copa do Mundo de Futebol de 2014, também realizada no Brasil.
A RoboCin, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), compete este ano pela primeira vez na série A de futebol não-humanoide, após conquistar dois títulos mundiais na série B. “Nosso objetivo é bater de frente com os alemães e chineses. Chegamos preparados para isso”, afirmou Victor Sabino, integrante do time.
Já a equipe Warthog Robotics, da USP São Carlos, impressiona na série B com robôs humanoides. Os brasileiros estão invictos, com três vitórias, 36 gols marcados e nenhum sofrido. “Essa é nossa categoria principal, e os resultados refletem o quanto estamos preparados para brigar pelo título”, contou Rhayna Christiani Casado, representante do grupo.
A Bahia também brilha na competição. Seis equipes baianas participam da RoboCup, três na divisão "major" e três na "júnior", com representantes da Uneb, do Colégio da Polícia Militar (CPM), Unidade Lobato, do IFBA de Eunápolis e do Colégio Nossa Senhora de Fátima, de Vitória da Conquista. A Bahia RT, da Uneb, é a maior equipe do estado e atua em quatro categorias: futebol, tarefas domésticas, resgate e drones.
Segundo Reinaldo Bianchi, vice-presidente da RoboCup Brasil, o evento representa o que há de mais avançado no campo da inteligência artificial. “A RoboCup envolve praticamente todas as engenharias: elétrica, mecânica, computação, além de áreas como física e matemática. É um campo completo de aplicação da tecnologia”, destacou.
Na modalidade "home", que simula tarefas domésticas, a Bahia RT aposta no robô “Bill”, único representante baiano na categoria. Ele é capaz de reconhecer comandos, interagir com ambientes e realizar tarefas como levar objetos de um cômodo a outro. “Estamos testando hoje o que em breve será comum nas nossas casas”, explicou Fagner Pimentel, organizador da categoria.
A categoria "rescue" (resgate) também ganhou visibilidade. Ela simula desastres e desafia os robôs a atravessar terrenos instáveis, buscando vítimas. A Bahia é representada na divisão júnior pela equipe Bravo, do Colégio Militar. Já no futebol, robôs humanoides e não-humanoides atuam em campos adaptados, com regras semelhantes às tradicionais, como escanteios, faltas e pênaltis.
Entre os mais de 800 robôs em atividade na RoboCup, estão máquinas que se movimentam a até dois metros por segundo, tomam decisões em tempo real e realizam ações de forma totalmente autônoma. Para Marcos Simões, presidente da RoboCup Brasil, “o Brasil se consolida como potência global em robótica e inteligência artificial. O que antes era futuro, hoje está em campo.”