Saúde

Brasil registra aumento de casos de intoxicação por metanol e novas mortes

Ministério da Saúde confirma 14 casos e inicia distribuição de antídotos aos estados

05 de Outubro de 2025
Foto: Divulgação

O número de notificações de intoxicação por metanol no Brasil subiu para 195, segundo o mais recente boletim do Ministério da Saúde, divulgado no último sábado (4). Desse total, 14 casos foram confirmados e 181 permanecem sob investigação. O avanço da contaminação acende um alerta nacional, com registros em 55 cidades distribuídas entre 15 estados brasileiros.

O metanol é uma substância usada industrialmente em solventes e produtos químicos, mas extremamente perigosa para o consumo humano. Quando ingerido, ele é transformado pelo fígado em compostos tóxicos que atacam o sistema nervoso, o cérebro, a medula e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até a morte. Também há relatos de insuficiência pulmonar e renal em pacientes intoxicados.

Entre os casos confirmados e suspeitos, 13 mortes já foram registradas, uma confirmada e 12 em investigação. O balanço oficial, no entanto, ainda não contabiliza a segunda morte confirmada pelo governo de São Paulo no último sábado. Os estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Piauí notificaram os primeiros casos suspeitos.

Para conter os efeitos da crise sanitária, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de antídotos aos estados. Na primeira remessa, foram enviadas 580 ampolas de etanol farmacêutico, usado no tratamento de intoxicações, a Pernambuco, Paraná, Bahia, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. A medida busca garantir que os hospitais tenham recursos imediatos para salvar vidas.

Além disso, o ministério firmou contrato para a compra de 2,5 mil unidades de fomepizol, um medicamento utilizado como antídoto específico contra o metanol. As doses serão importadas do Japão e devem chegar ao Brasil na próxima semana, ampliando o arsenal terapêutico contra os efeitos da substância.

As autoridades ainda não divulgaram oficialmente a identidade das vítimas, mas reportagens da TV Globo e do g1 revelaram histórias de pessoas gravemente afetadas após consumir bebidas adulteradas. Em Osasco, o jovem Rafael permanece em coma, internado na UTI, após ingerir uma bebida contaminada. Amigos que beberam menores quantidades também apresentaram sintomas de intoxicação e perda parcial da visão.

Em São Paulo, a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, perdeu totalmente a visão depois de consumir três caipirinhas preparadas com vodca em um bar no bairro dos Jardins. O local foi interditado e cerca de 100 garrafas suspeitas foram apreendidas. Segundo familiares, a paciente segue internada e sem previsão de alta.

Outro caso grave envolve Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, que passou mal após assistir a um show de pagode em São Bernardo do Campo. Ela precisou ser entubada e permanece em estado grave. O namorado, que também consumiu a mesma bebida, está internado em outra unidade de saúde.

Em agosto, o paulistano Wesley Pereira, de 31 anos, entrou em coma depois de beber uísque adulterado durante uma festa. Ele sofreu uma série de complicações, incluindo pneumonia e um AVC. Segundo a família, Wesley perdeu a visão e luta para se recuperar no Hospital do Campo Limpo.

A lista de vítimas inclui ainda o advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, que morreu após ingerir vodca adulterada comprada em uma adega na zona sul de São Paulo. Ele sofreu falência múltipla dos órgãos e teve o metanol apontado como causa da morte. O caso dele, assim como os demais, expõe a gravidade do consumo de bebidas falsificadas e a urgência de medidas rigorosas de fiscalização e conscientização em todo o país.

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