Meio Ambiente

Brasil reduz 16,7% emissões de gases do efeito estufa em 2024

Queda é a maior dos últimos 16 anos e reforça posição do país na COP30.

04 de Novembro de 2025
Foto: Arquivo / Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Brasil registrou uma queda de 16,7% nas emissões brutas de gases do efeito estufa em 2024, atingindo 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e), em comparação com 2,576 GtCO2e emitidas no ano anterior. Quando consideradas as emissões líquidas, que descontam a captura de carbono por florestas secundárias e áreas protegidas, a redução chega a 22%. 

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (3) pela rede Observatório do Clima, na 13ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que reúne informações de cinco setores: mudança de uso da terra, agropecuária, energia, processos industriais e resíduos. A redução é a maior dos últimos 16 anos e a segunda mais expressiva desde o início da série histórica em 1990. 

De acordo com o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, o desempenho reforça o papel de destaque do Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que começa no próximo dia 10 de novembro. 

“Dificilmente teremos dentro do G20 [países mais ricos] ou dentro dos dez maiores emissores, países chegando na COP30 com um número de redução total das suas emissões, tal qual esse número que a gente está apresentando agora”, afirmou Astrini. 

Entre os setores analisados, a mudança de uso da terra continua liderando as emissões, respondendo por 42% do total em 2024. A agropecuária representou 29%, o setor de energia 20%, enquanto resíduos e processos industriais responderam por 5% e 4%, respectivamente. O desmatamento foi responsável por 98% das emissões do setor de uso da terra, que somou 906 milhões de toneladas de CO2e. 

A pesquisadora Bárbara Zimbres, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), destacou a queda acentuada nesse setor, resultado do controle do desmatamento. “No último ano a gente teve a maior queda nas emissões brutas de 32%”, disse. 

A Amazônia liderou a redução, com 41% de queda nas emissões, seguida pelo Cerrado, com 20%, e pelo Pantanal, que registrou diminuição proporcional de 66%. Apenas o bioma Pampa apresentou aumento de 6%. No recorte estadual, Rondônia, Pará e Mato Grosso tiveram reduções mais expressivas, 65%, 44% e 44%, respectivamente, enquanto Minas Gerais, Piauí, Roraima, Rio Grande do Sul e Sergipe apresentaram crescimento nas emissões. 

Em relação às emissões líquidas, o Brasil atingiu 1,49 GtCO2e em 2024, refletindo uma redução de 64% no setor de uso da terra, que caiu de 685 milhões para 249 milhões de toneladas de CO2e. Com isso, a agropecuária passou a ocupar o primeiro lugar entre os maiores emissores líquidos do país, respondendo por 42% do total. 

Apesar da melhora nos índices gerais, o SEEG alerta para o aumento das queimadas em todos os biomas brasileiros. “O Brasil queimou inteiro, em quase todos os biomas houve aumentos expressivos na área queimada em 2024. Isso refletiu no aumento de duas vezes e meia nas emissões líquidas por fogo no Brasil”, destacou Zimbres. 

Segundo a pesquisadora, se as emissões decorrentes de queimadas fossem incluídas no inventário, as emissões líquidas do setor de uso do solo poderiam dobrar. Mesmo assim, os resultados de 2024 reforçam o potencial do Brasil em liderar políticas de redução de carbono e preservação ambiental no cenário global. 

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