Saúde

Brasil produzirá vacina contra vírus sincicial e remédio para esclerose

Acordos envolvem Instituto Butantan, Pfizer e Sandoz em transferência de tecnologia.

10 de Setembro de 2025
Foto: Freepik

O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (10), duas novas parcerias de transferência de tecnologia que fortalecem a produção nacional de imunizantes e medicamentos. O Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica Pfizer, será responsável pela fabricação da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de infecções graves em bebês.

A previsão é que as primeiras 1,8 milhão de doses sejam entregues até o fim deste ano. Em fevereiro, o ministério já havia confirmado a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS). A distribuição deve começar na segunda quinzena de novembro, voltada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, com o objetivo de garantir a transferência de anticorpos aos recém-nascidos.

Segundo a pasta, o VSR é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de 2 anos. No Brasil, cerca de 20 mil bebês de até um ano são internados anualmente em decorrência do vírus, com maior risco entre prematuros, cuja taxa de mortalidade é sete vezes superior à de crianças nascidas a termo.

“A vacina tem potencial para prevenir cerca de 28 mil internações por ano, oferece proteção imediata aos recém-nascidos e beneficiará aproximadamente 2 milhões de bebês nascidos vivos”, informou o ministério em nota.

Produção de medicamento contra esclerose múltipla

Além da vacina, o Brasil passará a produzir o natalizumabe, medicamento biológico usado no tratamento da esclerose múltipla. A transferência de tecnologia será feita pela farmacêutica Sandoz, também em parceria com o Instituto Butantan, no formato de parceria de desenvolvimento produtivo (PDP).

Segundo o ministério, a medida busca reduzir a dependência externa de medicamentos estratégicos. “A vulnerabilidade do país na oferta de insumos durante a pandemia de covid-19 e os recentes episódios relacionados à aplicação de tarifas abusivas às exportações brasileiras reforçam a importância da soberania do SUS para garantir o acesso da população a medicamentos e tratamentos”, avaliou a pasta.

O natalizumabe é indicado a pacientes com a forma remitente-recorrente de alta atividade da esclerose múltipla, que corresponde a 85% dos casos, e que não responderam a outros tratamentos. O remédio já é ofertado no SUS desde 2020, mas atualmente há apenas um fabricante registrado no país.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, atingindo principalmente adultos jovens entre 18 e 55 anos. Caracteriza-se pela desmielinização da bainha de mielina, que compromete a condução de impulsos elétricos responsáveis pelo controle de diversas funções do organismo.

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