Meio Ambiente

Brasil planeja presença recorde de indígenas na COP30 em Belém

Meta é reunir três mil representantes originários como “guardiões da biodiversidade”.

24 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

O governo brasileiro prepara uma participação histórica de povos indígenas na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém (PA). A meta é reunir cerca de três mil representantes de povos originários, celebrados neste 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas, como “guardiões da biodiversidade”, definição dada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a expectativa é de que a COP30 marque o maior encontro de indígenas já realizado nas conferências climáticas. “Estamos nos preparando para ter a maior e melhor participação indígena. Queremos não apenas a maior delegação em quantidade, mas também em qualidade de atuação”, afirmou a ministra, destacando o protagonismo desses povos no enfrentamento da crise ambiental.

Do total previsto, mil indígenas participarão na chamada Zona Azul, onde ocorrem as negociações oficiais das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Os outros dois mil estarão na Zona Verde, dedicada a observadores e debates da sociedade civil. A meta é superar amplamente os recordes anteriores de Paris (COP21) e Dubai (COP28), que reuniram cerca de 350 indígenas em cada edição.

Para receber as delegações, a Universidade Federal do Pará vai abrigar a chamada “Aldeia COP”, estrutura montada especialmente para acolher os participantes durante o evento. O espaço servirá como ponto de encontro, articulação e troca de experiências entre os povos originários, reforçando a presença indígena no centro das discussões climáticas.

Sônia Guajajara explicou que, na Zona Azul, estarão indígenas em processo de formação e líderes que participaram do curso Kuntari Katu, voltado para fortalecer a representação política global. Eles acompanharão de perto as negociações oficiais, enquanto outras lideranças atuarão nas mesas de debate e nos eventos paralelos, fruto da preparação feita em todas as regiões do Brasil pelo ciclo CoParente.

Já a Zona Verde será o espaço de maior concentração de indígenas, com pautas diversificadas e a presença de representantes de diferentes regiões do Brasil e do mundo. Haverá também participação na Cúpula dos Povos, onde movimentos sociais se reúnem para debater propostas conjuntas de enfrentamento à emergência climática.

As articulações para a presença maciça de povos originários na COP30 reforçam o compromisso do Brasil de colocar a Amazônia e seus guardiões no centro do debate climático global. O evento em Belém é visto como uma oportunidade de mostrar ao mundo experiências de conservação, valorização cultural e soluções sustentáveis.

O governo federal avalia que fortalecer a voz indígena é essencial para enfrentar a crise climática. “Se cuidarmos da terra e a respeitarmos, poderemos responder a este tempo de desafios”, resumiu Sônia Guajajara, ecoando a mensagem de união e responsabilidade que deve marcar a COP30.

Com essa mobilização, o Brasil quer demonstrar que a preservação das florestas e o conhecimento ancestral dos povos indígenas são fundamentais para conter o aquecimento global. A expectativa é que a conferência em Belém deixe um legado de participação e de novas alianças em defesa do planeta.

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