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Brasil ocupa último lugar em ranking de competitividade industrial da CNI 2024

Fatores como Ambiente Econômico, Desenvolvimento Humano e Trabalho, e Educação foram responsáveis por esse resultado

20 de Abril de 2025
Foto: Divulgação

O Brasil ficou na última colocação entre 18 países no ranking de competitividade industrial 2023-2024, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo avaliou oito grandes fatores que impactam a performance das empresas no mercado global, e revelou que o país enfrenta sérias dificuldades em áreas como ambiente econômico, educação e desenvolvimento humano.

Entre os piores desempenhos, o Brasil ficou na 18ª posição nos fatores Ambiente Econômico, Desenvolvimento Humano e Trabalho, e Educação. A taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25% ao ano, e os altos custos de financiamento foram apontados como entraves históricos para a indústria brasileira.

Mesmo diante do cenário crítico, a CNI destacou como avanço o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial liderada pelo BNDES. O programa prevê financiamentos de até R$ 507 bilhões até 2026 e tem foco em inovação tecnológica, formação de trabalhadores e incentivo à transformação produtiva.

O ambiente tributário também pesou negativamente na nota brasileira. A CNI ressalta que a recente reforma tributária pode trazer melhorias significativas, mas alerta para os riscos de regulamentações que elevem a alíquota média do novo imposto sobre o consumo.

De todos os macroindicadores, o único fator em que o Brasil se destacou positivamente foi no subfator de descarbonização, onde ficou em 2º lugar. No entanto, ainda enfrenta deficiências em economia circular e sustentabilidade em recursos naturais, ocupando a 12ª colocação geral nesse quesito.

O ranking da CNI passou por atualizações metodológicas e agora compara o Brasil a países com perfil produtivo e inserção comercial similares, como Coreia do Sul, China, Alemanha, México, entre outros. O objetivo é entender os gargalos internos que impedem maior competitividade.

Na Educação, o país ficou novamente na última colocação. O levantamento destaca a baixa adesão ao ensino técnico e o pequeno número de profissionais formados nas áreas de ciência e tecnologia como principais falhas do sistema educacional brasileiro.

No quesito Desenvolvimento Humano e Trabalho, o Brasil também amargou os últimos lugares em subfatores como Relações de Trabalho, Saúde e Segurança, além de Diversidade e Inclusão. A Coreia do Sul liderou esse aspecto, com altos índices de qualificação e proteção ao trabalhador.

Outros fatores, como Comércio e Integração Internacional e Infraestrutura, também contribuíram para o fraco desempenho. O país ficou em 14º e 15º lugares, respectivamente, com destaque negativo para logística deficiente, baixa densidade ferroviária e má qualidade das rodovias.

Apesar da posição preocupante, a CNI apontou que há sinais de resiliência na indústria nacional. “Mesmo em um ambiente econômico adverso, algumas empresas brasileiras conseguem competir em mercados globais”, afirmou Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da entidade.

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