Meio Ambiente

Brasil lidera perdas de floresta tropical primária, aponta estudo do Glad Lab

Relatório global mostra 6,7 milhões de hectares perdidos; incêndios cresceram cinco vezes.

21 de Maio de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Em 2024, países localizados nos trópicos, como Brasil e Bolívia, perderam 6,7 milhões de hectares de floresta primária, uma área equivalente ao tamanho do Panamá. O número representa o maior já registrado pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad Lab), da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

As informações estão disponíveis na plataforma Global Forest Watch (GFW), do World Resources Institute (WRI), e revelam a destruição de uma área equivalente a 18 campos de futebol por minuto. O principal fator para essas perdas foram os incêndios florestais, que, segundo especialistas, devem ser diferenciados do desmatamento, já que este implica, necessariamente, ação humana direta, enquanto os incêndios podem ter causas naturais, embora em florestas tropicais sejam quase sempre provocados por pessoas.

O relatório aponta que os incêndios destruíram cinco vezes mais floresta tropical primária em 2024 do que em 2023. Dez países foram responsáveis por 87% da perda global registrada no ano passado. O Brasil aparece no topo da lista, concentrando 42% das perdas nos trópicos, seguido por Bolívia, República Democrática do Congo, Indonésia, Peru, Laos, Colômbia, Camarões, Nicarágua e México.

Além das florestas tropicais, a perda de cobertura arbórea em todo o mundo também foi recorde, com aumento de 5% em relação a 2023, somando 30 milhões de hectares devastados. Pela primeira vez, os pesquisadores observaram incêndios de grande escala atingindo florestas tanto tropicais quanto boreais, como no Alasca, no Canadá e na Sibéria.

Segundo o codiretor do Glad Lab, Peter Potapov, o avanço das chamas em áreas remotas preocupa: “Nos cenários intactos não há atividade industrial”.

Situação crítica no Brasil

O especialista também analisou o caso brasileiro. “A agricultura industrial, a mineração e a exploração madeireira são os principais responsáveis por sua perda”, afirmou Potapov, em resposta à Agência Brasil.

O relatório destaca que a emissão de gases de efeito estufa aumentou de forma significativa em 2024. Os incêndios florestais no mundo geraram 4,1 gigatoneladas (Gt) desses gases — quatro vezes mais que no ano anterior.

“Isso tem que ser um chamado para todos os países, os negócios, porque, se continuar nesse caminho, vamos devastar tudo, não vamos frear a mudança climática e teremos grandes impactos”, alertou a codiretora da GFW.

Já o pesquisador Matt Hansen, também codiretor do Glad Lab, lamentou os dados: “Estamos vendo esse relatório como más notícias”.

Biomas brasileiros em destaque

O Brasil, que abriga a maior extensão de florestas primárias tropicais do planeta, também teve aumento de 13% nas taxas de perda de vegetação não provocada por incêndios, em comparação com 2023. Ainda assim, esses números permanecem abaixo dos picos registrados nos anos 2000 e durante o governo anterior.

Os pesquisadores atribuíram o desmatamento para monocultivo de soja e a expansão da pecuária como os principais fatores para o avanço da devastação. Apesar dos esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reverter esse quadro — com políticas ambientais, revogação de normas permissivas, demarcação de terras indígenas e reforço da fiscalização —, os avanços seguem ameaçados pela expansão do agronegócio.

A Amazônia registrou sua maior perda de vegetação desde 2016, com aumento de 110% em relação ao ano anterior. Os incêndios foram o principal fator. Já o Pantanal foi o bioma brasileiro com o maior percentual de perda de cobertura arbórea em 2024.

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