Saúde

Brasil gasta mais que o dobro do lucro do tabaco com doenças

Estudo do Inca mostra impacto de R$ 153,5 bilhões e 174 mil mortes anuais.

31 de Maio de 2025
Foto: AbsolutVision / Pixabay

Para cada R$ 1 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o Brasil gasta R$ 2,30 no tratamento de doenças relacionadas ao fumo. A constatação faz parte do estudo “A Conta que a Indústria do Tabaco não Conta”, elaborado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e divulgado nesta semana pelo Ministério da Saúde, em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste sábado, 31 de maio.

De acordo com o levantamento, desde 2016 o país observa aumento anual na produção de cigarros, o que agrava os custos para o sistema de saúde pública. Os pesquisadores estimam que o hábito de fumar é responsável por 174 mil mortes anuais no Brasil, gerando um custo de R$ 153,5 bilhões por ano, considerando tanto despesas diretas, como tratamento de doenças, quanto custos indiretos, como perda de produtividade.

O estudo teve como foco atualizar as informações nacionais sobre o perfil dos fumantes e avaliar os custos sanitários frente ao lucro da indústria fumageira. Foram consideradas as mortes associadas a doenças cardíacas isquêmicas, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), acidente vascular cerebral (AVC) e câncer de pulmão.

O Inca alerta que o país enfrenta desafios constantes para proteger a Política Nacional de Controle do Tabaco (PNCT), especialmente contra a influência da indústria, que busca ampliar mercados e enfraquecer regulações.

Entre os exemplos dessa pressão, o estudo destaca os recursos investidos pela indústria tabagista na tentativa de liberar os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), conhecidos como vapes, proibidos no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, mas ainda assim vendidos de forma ampla no comércio.

O levantamento mostra que, em 2019, o uso de vapes entre mulheres grávidas era 50% superior ao das mulheres não grávidas, um dado que preocupa especialistas da saúde pública.

Outro ponto crítico é o avanço do uso do narguilé, especialmente entre os jovens. Entre 2014 e 2020, houve um aumento de 700% nos registros de fumo de tabaco com aditivos para narguilé. A busca por essa modalidade de fumo entre jovens cresceu 300% entre 2013 e 2019, o que acende um alerta sobre o crescimento desse hábito entre as novas gerações.

Perfil do fumante no Brasil e metas até 2030

O Brasil tem como meta, até 2030, reduzir em até 40% a prevalência do tabagismo, alinhando-se às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 3, Saúde e Bem-Estar, da ONU.

Em 2019, o país contabilizava ao menos 20 milhões de fumantes. Para monitorar o comportamento da população, o Ministério da Saúde utiliza o Vigitel, sistema implantado em 2006 nas capitais e no Distrito Federal. A ferramenta acompanha os principais fatores de risco e proteção para doenças como diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias.

Os dados do Vigitel indicam que, entre 2006 e 2018, a proporção de fumantes caiu de 15,7% para 9,3%, mantendo uma trajetória de queda contínua. Contudo, a partir de 2019, esse índice voltou a oscilar, chegando a 9,8% em 2020 e retornando para 9,3% em 2023, o que interrompe o ritmo de queda verificado anteriormente.

O estudo reforça a necessidade de fortalecer as políticas públicas de combate ao tabagismo e adverte sobre os riscos da influência da indústria, que tenta minimizar os impactos sociais, econômicos e sanitários do produto que comercializa.

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