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Brasil figura entre países mais violentos do mundo em ranking global de conflitos

Relatório da ACLED aponta avanço da violência armada na América Latina em 2025

12 de Dezembro de 2025

Megaoperação no Rio de Janeiro se torna a mais letal da história do estado

Foto: CNN

Brasil, México, Equador e Haiti aparecem em 2025 entre os dez países mais perigosos do mundo, segundo o índice de conflitos divulgado pela organização não governamental ACLED (Armed Conflict Event Location and Data Project). O levantamento acende um alerta para a América Latina ao evidenciar o crescimento da violência armada e do poder de grupos criminosos na região.

O estudo considera quatro indicadores principais para elaborar o ranking: número de mortes, nível de ameaça à população civil, abrangência geográfica dos conflitos e quantidade de grupos armados em atuação. A combinação desses fatores posicionou países latino-americanos ao lado de territórios historicamente marcados por guerras e instabilidade política.

O México ocupa a quarta posição no ranking, repetindo o mesmo lugar de 2024 e ficando atrás apenas de Palestina, Mianmar e Síria. De acordo com a ACLED, o cenário mexicano é influenciado pela disputa interna no Cartel de Sinaloa, intensificada após a prisão de Ismael “El Mayo” Zambada, em julho de 2024, o que desencadeou uma reorganização criminosa em diversos estados do país.

A organização também chama atenção para a violência direcionada a políticos e servidores públicos no México. Somente no último ano, foram registrados 360 episódios desse tipo, impulsionados tanto por disputas eleitorais quanto pelo interesse de grupos criminosos em controlar instituições e recursos locais, especialmente em estados como Veracruz e Michoacán.

O Equador aparece na sexta colocação e é o país que apresentou a maior escalada no ranking, subindo 36 posições em relação a 2024. Segundo a ACLED, o aumento da violência está ligado à disputa entre facções como Los Lobos e Los Choneros, à fragmentação das gangues após a queda de lideranças e ao papel estratégico do país nas rotas do narcotráfico internacional.

Brasil e Haiti ocupam a sétima e a oitava posições, respectivamente. No caso brasileiro, o relatório aponta a atuação de facções que disputam territórios urbanos e rotas criminosas, com episódios recentes de grande letalidade, como operações policiais que resultaram em dezenas de mortes. No Haiti, a violência é agravada pela instabilidade política contínua desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021.

Mortos na Megaoperação realizada no Rio de Janeiro em 2025(Foto: Divulgação)

A ACLED observa que, embora a violência esteja concentrada em áreas específicas, como grandes centros urbanos e capitais, há um movimento de expansão dos conflitos para novas regiões. No Haiti, por exemplo, a atuação de gangues deixou de se restringir à capital Porto Príncipe e avançou para outras áreas do país.

Diante desse cenário, a organização questiona a eficácia de respostas baseadas exclusivamente no uso da força militar. Segundo a analista sênior da ACLED para a América Latina e o Caribe, Sandra Pellegrini, a militarização da segurança pública pode até reduzir a violência no curto prazo, mas tende a provocar maior fragmentação de grupos criminosos e novos ciclos de confronto a médio e longo prazo.

A analista destaca ainda que políticas de “tolerância zero” são populares entre a população e sofrem influência direta da pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, o que dificulta a adoção de estratégias alternativas mais estruturais e preventivas por parte dos governos latino-americanos.

No ranking global da ACLED para 2025, os dez países mais perigosos do mundo são Palestina, Mianmar, Síria, México, Nigéria, Equador, Brasil, Haiti, Sudão e Paquistão, reforçando o diagnóstico de que a violência armada segue como um dos maiores desafios contemporâneos para a estabilidade política e social em diversas regiões do planeta.

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