Perdas elevadas na distribuição comprometem abastecimento, pressionam custos e agravam impacto do clima extremo
O Brasil perde, em algumas regiões, mais de 40% de toda a água tratada antes que ela chegue às torneiras, segundo dados consolidados de companhias estaduais de saneamento. O desperdício, resultado de vazamentos, redes antigas e fraudes, aumenta os custos do serviço e ameaça a segurança hídrica em um cenário de secas cada vez mais severas.
Levantamentos regionais mostram que o índice de “água não faturada” varia de 30% a 50% em diversos estados. Em sistemas mais antigos, a maior parte das perdas ocorre em tubulações deterioradas, onde vazamentos não detectados podem se arrastar por meses. Em áreas urbanas mais densas, ligações clandestinas e falhas de medição também elevam o desperdício.
O impacto vai além dos custos operacionais. Cada litro perdido representa energia, produtos químicos e recursos públicos desperdiçados, encarecendo o serviço para o consumidor final. Em regiões com oferta limitada, como Norte e Nordeste, as perdas reduzem a capacidade de expansão do abastecimento e tornam o sistema mais vulnerável a estiagens prolongadas.
Especialistas defendem que estados e municípios invistam na modernização das redes, ampliem o uso de tecnologias de detecção de vazamentos e atualizem hidrômetros antigos. A fiscalização contra irregularidades e a manutenção preventiva contínua também são consideradas essenciais para garantir eficiência e reduzir riscos de colapso.
Com eventos climáticos extremos se tornando mais frequentes, o combate ao desperdício é visto como uma urgência nacional. Cada metro cúbico preservado fortalece o abastecimento, melhora o uso dos recursos públicos e ajuda a garantir que a água tratada cumpra seu destino: chegar a quem precisa.