Meio Ambiente

Brasil consolida etanol como pilar central da transição energética global

Produção a partir da cana e do milho reforça papel estratégico do biocombustível

28 de Agosto de 2025
Foto: Divulgação

Muito antes de a descarbonização entrar na pauta global, o Brasil já transformava seus canaviais em energia limpa. Essa iniciativa, iniciada há quase um século, foi decisiva para a construção de um modelo de transição energética que hoje é referência mundial. Atualmente, os biocombustíveis respondem por quase 30% da matriz energética brasileira, o dobro da média mundial, resultado de um crescimento constante nas últimas cinco décadas, tema que estará em destaque na COP30, marcada para novembro em Belém (PA).

O principal vetor desse avanço é o etanol, biocombustível renovável produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), em 2024 a cana foi a principal fonte de energia renovável do Brasil. Nos últimos anos, o milho também ganhou espaço, representando cerca de 20% da produção nacional de etanol. Essa diversidade garante abastecimento contínuo e maior competitividade para o setor.

No cotidiano, o etanol está presente em todos os veículos leves do país, mesmo nos movidos a gasolina, já que esse combustível possui obrigatoriamente 30% de etanol anidro em sua composição. Assim, além de ser uma alternativa à gasolina, o etanol desempenha papel essencial na redução de gases de efeito estufa e no uso eficiente dos recursos naturais.

A trajetória de consolidação começou em 1931, quando um decreto de Getúlio Vargas determinou a adição de até 5% de etanol à gasolina. O grande impulso, porém, ocorreu na década de 1970, com a crise do petróleo, que levou à criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool). O programa estruturou a cadeia produtiva e permitiu ao Brasil alcançar protagonismo internacional na produção de biocombustíveis.

Empresas como a Copersucar tiveram papel decisivo nessa história. “O etanol é fruto de uma construção coletiva que atravessa décadas, unindo visão de futuro, políticas públicas e empreendedorismo. A Copersucar tem orgulho de ter contribuído desde os primeiros marcos dessa história”, afirmou Priscilla Cortezze, diretora de comunicação e sustentabilidade da companhia.

O combustível que mudou nossa história | Cana Online(Foto: Acervo)

Outro marco foi a criação do motor flex em 2003, que ampliou o consumo ao permitir que veículos funcionassem com gasolina, etanol ou a mistura dos dois. A legislação também tem acompanhado essa evolução: em 2024, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol na gasolina para 30%, medida amparada pela Lei Combustível do Futuro, que define metas de descarbonização e incentiva biocombustíveis.

As montadoras também investiram em inovação. A Stellantis lançou em 1979 o Fiat 147 movido a etanol e, em 2024, apresentou a tecnologia Bio-Hybrid, que combina eletrificação com o biocombustível. A Toyota, por sua vez, foi pioneira na produção de veículos híbridos flex, com o Corolla em 2019, e participa de um projeto na USP para gerar hidrogênio a partir do etanol, aproveitando a infraestrutura já existente de postos de combustíveis.

Os benefícios ambientais são expressivos. De acordo com a UNICA, o consumo de etanol pelos veículos flex pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com a gasolina. Além disso, práticas sustentáveis no campo e na indústria, como o uso de biofertilizantes e a geração de energia a partir da biomassa, reforçam a sustentabilidade do setor.

Estudos indicam que o consumo de etanol hidratado pode crescer ainda mais nas próximas décadas. Projeções da Copersucar apontam que os veículos flex continuarão representando pelo menos 75% da frota até 2035, mesmo com o aumento das vendas de modelos eletrificados. Cada incremento de 10 pontos percentuais no uso do etanol hidratado evita cerca de 6 milhões de toneladas de CO? e cria demanda para mais de 5 bilhões de litros adicionais do biocombustível.

Com raízes firmes plantadas ao longo de quase um século, o Brasil consolidou uma cadeia madura, competitiva e sustentável para o etanol. Hoje, diante do desafio global de descarbonização, o país mostra que esse biocombustível não é apenas parte da solução, mas uma alternativa já pronta para atender em escala mundial, com impacto imediato e positivo no enfrentamento das mudanças climáticas.

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