Economia

Brasil busca diálogo com EUA sobre tarifaço, sem viés político ou ideológico

Sobretaxa de 50% pode afetar 10 mil empresas brasileiras a partir de agosto

28 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

O governo brasileiro afirmou estar aberto ao diálogo com os Estados Unidos para discutir as tarifas de importação anunciadas pelo presidente Donald Trump, desde que o debate ocorra “sem qualquer contaminação política ou ideológica”. A medida unilateral dos EUA prevê uma sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados e entrará em vigor na próxima sexta-feira, 1º de agosto.

A posição do Brasil foi divulgada por meio de nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que reiterou que a soberania nacional e o estado democrático de direito “são inegociáveis”, mas que o país segue disposto a tratar das questões comerciais de forma objetiva e institucional.

O tarifaço foi comunicado em 9 de julho, em carta oficial de Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O norte-americano justificou a medida com base em questões políticas e comerciais. No dia 23, voltou a afirmar que os países com os quais os EUA têm tido “relacionamento ruim” seriam penalizados. O Brasil não foi citado nominalmente, mas está entre os afetados, segundo o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

Em reação, o chanceler Mauro Vieira desembarcou neste domingo (27) nos Estados Unidos. Oficialmente, ele participará de reuniões na ONU, em Nova York, mas poderá seguir para Washington caso haja sinalização de interesse por parte do governo norte-americano em negociar uma saída para a crise tarifária.

A Amcham Brasil estima que cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos podem ser impactadas diretamente pela medida. Esses negócios empregam mais de 3,2 milhões de trabalhadores no Brasil, segundo a entidade.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ressaltou que empresas americanas atuantes no Brasil, como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar, também seriam prejudicadas pela decisão de Trump. “Queremos todos unidos para resolver essa questão. Muitas dessas empresas exportam para os EUA e têm longa presença no país”, disse.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que a equipe econômica já trabalha em um plano de contingência para apoiar os setores atingidos. “Não vamos deixar os trabalhadores brasileiros desamparados. Tomaremos as medidas necessárias”, garantiu.

A nota do MDIC também destacou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma “relação econômica robusta e de alto nível há mais de 200 anos” e que a expectativa é preservar essa parceria histórica, garantindo que continue refletindo a profundidade dos laços bilaterais.

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