Ciência e Tecnologia

BNDES aprova R$ 280 milhões para fábrica de baterias da transição energética

Planta da WEG em Santa Catarina vai armazenar energia solar e eólica.

05 de Fevereiro de 2026
Foto: Reprodução

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 280 milhões para a WEG construir a maior fábrica do Brasil de sistemas de armazenamento de energia em baterias, tecnologia conhecida como Bess (Battery Energy Storage System). A nova unidade será instalada em Itajaí, em Santa Catarina, com previsão de início das obras em breve e conclusão no segundo semestre de 2027.

Segundo o banco e a empresa, a fábrica deve gerar cerca de 90 empregos diretos e ampliar a capacidade produtiva da WEG para até 2 gigawatt-hora (GWh), o equivalente a aproximadamente 400 sistemas de 5 megawatt-hora (MWh). A planta contará com alto grau de automação, incluindo o uso de robôs móveis autônomos, além de um laboratório voltado a testes e desenvolvimento tecnológico.

Os sistemas Bess são considerados estratégicos para a transição energética por permitirem maior eficiência no aproveitamento de fontes renováveis intermitentes, como a energia solar e eólica. As baterias armazenam a eletricidade gerada em momentos de alta produção e a liberam quando há maior demanda, contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico.

Um dos principais benefícios da tecnologia é a redução das perdas associadas ao chamado curtailment, quando ocorre a redução ou interrupção forçada da geração de energia limpa por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, vinculado ao Ministério de Minas e Energia. O governo federal estuda a realização de um Leilão de Reserva de Capacidade para contratação de sistemas de armazenamento, tema que está em consulta pública até o próximo dia 11.

O financiamento à WEG integra o programa BNDES Mais Inovação, voltado ao apoio a projetos de inovação e digitalização. O acesso ao crédito ocorreu por meio de um edital específico para transformação de minerais estratégicos ligados à transição energética e à descarbonização, com destaque para o uso do lítio, matéria-prima essencial na fabricação das baterias.

Apesar da aprovação, a operação de crédito ainda não foi formalmente contratada, e por isso as condições financeiras do empréstimo não foram divulgadas. Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o investimento fortalece a segurança energética do país. “O financiamento contribui para ampliar a resiliência da rede elétrica e a expansão das fontes renováveis”, afirmou.

Já o presidente da WEG, Alberto Kuba, destacou o papel estratégico do projeto. “Trata-se de um investimento alinhado com o objetivo de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de transição energética”, declarou.

Fundada em 1961, a WEG possui operações industriais em 18 países e mais de 49 mil colaboradores. Em 2024, a empresa registrou faturamento de R$ 38 bilhões, sendo 57% provenientes de vendas no mercado internacional.

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