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Black Eye Estúdio promove tarde de autógrafos e lança HQs na Livraria Valer em Manaus

Evento no Largo São Sebastião reuniu Emerson Medina e Ademar Vieira neste sábado, às 17h.

18 de Janeiro de 2026
Foto: Nelson Netto / Amz em Pauta

Manaus recebeu neste sábado, 17 de janeiro, um encontro que uniu história, cultura e quadrinhos. A Black Eye Estúdio promoveu uma tarde de autógrafos e lançamentos na Livraria Valer, no Largo São Sebastião, a partir das 17h, com a participação dos autores Emerson Medina e Ademar Vieira.

Além das sessões de autógrafos, os dois artistas também participaram de uma rodada de conversa com o público, abordando as obras apresentadas e os bastidores da produção independente no Amazonas. Entre os destaques do evento esteve a HQ “A Batalha de Itacoatiara”, que resgatou um conflito naval ocorrido no município durante a Revolução de 1932. A publicação teve roteiro de Emerson Medina e arte assinada por Romahs Mascarenhas e Tieê Santos.

                                                                        (Foto: Nelson Netto / Amz em Pauta)

“A Batalha do Itacoatiara, ela é resultado assim, ela meio caiu do céu, a gente estava pesquisando um projeto para uma outra história em quadrinhos, que não foi à frente, e aí me deparei com esse fato, né, acontecido aqui nas margens do Amazonas, na nossa cidade vizinha, né, Itacoatiara, e me espantou assim pela magnitude, porque eu considero uma pessoa que relativamente me interessa pela história e pela história do meu estado, eu não tinha total conhecimento desse fato. E também porque ele está ligado à Revolução de 1932.

A gente entende, a gente aprende bem cedo que a Revolução de 1932 foi o levante de São Paulo, exclusivamente de São Paulo, contra o governo do Getúlio Vargas. E na verdade, não foi só o fato que não foi só São Paulo, ele teve desdobramento no Norte, ele começa em obras no Pará, tem um levante aqui em Belém e Manaus também, mas aquele rapidamente sufocado, mas em obras bem sucedido. E aí eles vão, eles decidem continuar a rebelião tomando Parintins e se dirigindo para Manaus.

Só que nesse processo, as defesas em Itacoatiara se organizam e acontece uma batalha naval dramática, violenta, e que obviamente tem um resultado de vitória para o governo Getúlio. Isso praticamente foi apagado, né, porque se fala sempre da parte paulista, mas fala do lado aqui da região Norte. E eu achei que as pessoas ainda vinham saber mais, que as pessoas deviam conhecer essa história e aí comecei o processo de pesquisa, submeti para o editorial, para a lei Paulo Gustavo, e ele foi aprovado, né.

E aí, com a ajuda aí do Romahs, que é o ilustrador, o artista aí, o Tiee, que é o artista finalista, mais a Manala, que fez a diagramação, a gente tem integrado esse projeto, né, que foi lançado ano passado. A gente está fazendo esses eventos, como o de hoje, para tentar disseminar essa história, né, fazer essa história chegar mais a mais pessoas, ao conhecimento de mais pessoas, cada vez mais”, afirmou Emerson Medina.

Ademar Vieira integrou a coleção “MSP 90 Anos”, edição especial que reuniu artistas brasileiros em histórias com os personagens clássicos criados por Maurício de Souza. Entre as narrativas selecionadas, uma delas foi assinada pelo roteirista e ilustrador amazonense.

“Então, pra mim foi uma honra, né, receber esse convite pra trabalhar o personagem Papa Capim na MSP 90, né? Eu sou o único artista de Manaus participando dessa edição, que conta com 90 artistas de todo o Brasil, né? E a minha escolha foi o personagem Papa Capim justamente pela questão indígena, pela identificação que eu, como nortista, como manauara, tenho com o tema, né, de meio ambiente, né, da nossa floresta e a questão indígena.

Então, eu procurei nesse trabalho condensar muita coisa, tinha pouco espaço, né, pra trabalhar. São 90 artistas, então tinha pouco espaço. Procurei condensar o máximo de questões da mitologia indígena, né, e também a mensagem de preservação ambiental, que é uma marca do personagem Papa Capim. Então eu acho muito importante que o Papa Capim continue a existir, seja através do Maurício de Souza ou através de novos artistas que vão dar releitura, por causa desse ativismo que ele tem, né, da preservação, e que ele continue a educar outras gerações além da minha, né. Foi um personagem que me educou e eu espero que isso continue. Agora, com relação aos quadrinhos locais, né, eu sou um artista que graças aos editais eu pude ser visto, né, fora de Manaus. Então eu passei muito tempo em Manaus fazendo quadrinho com os meus amigos, para os meus amigos, né, para a minha família, porque a gente não conseguia ir muito longe com isso. Mas graças aos editais públicos de apoio à cultura, a gente conseguiu lançar o Ajuricaba, né, conseguimos lançar quadrinhos de grande relevância, né. O Ajuricaba foi finalista do Prêmio Jabuti em 2021. E a partir daí as portas se abriram, assim, pros quadrinhos do Norte também, né. Eu acho que isso foi até um marco, né”, afirmou Ademar Vieira.

Durante a programação, o público pôde conhecer os autores, acompanhar um bate-papo sobre criação, roteiro e ilustração, e participar das atividades voltadas à valorização da cena de quadrinhos no Norte do país.

O evento aconteceu na Livraria Valer, no Largo São Sebastião, e celebrou não apenas o lançamento das obras, mas também o fortalecimento da produção cultural amazônica e o trabalho de artistas que levaram os quadrinhos da região a novos espaços no cenário nacional.

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