Projetos mostram como a floresta pode gerar renda, inovação e desenvolvimento.
A Expopim 2026 movimentou o Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, reunindo inovação, tecnologia e novas oportunidades de negócios para a região. Entre os destaques desta edição, a bioeconomia se consolidou como um dos principais eixos do evento, conectando a riqueza da floresta amazônica ao desenvolvimento sustentável e à geração de renda.
Durante a feira, instituições, startups e empreendedores apresentaram soluções que demonstram o potencial da biodiversidade amazônica na criação de produtos e negócios inovadores, reforçando a importância da preservação ambiental aliada ao crescimento econômico.
Um dos destaques foi o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), que atua diretamente no desenvolvimento de projetos voltados à valorização dos recursos naturais da região. Segundo o diretor de Bionegócios do CBA, Carlos Henrique Carvalho, o principal objetivo é transformar a riqueza natural da Amazônia em oportunidades econômicas, mantendo a floresta em pé.
“Nosso principal objetivo é mostrar, primeiro, que é possível sim transformar a riqueza que a natureza nos deu aqui na região em negócios, em fonte de renda para as pessoas, mantendo a floresta em pé. Esse é o objetivo primordial. E para isso a gente faz a utilização de pesquisa, desenvolvimento, aplicação de tecnologia intensiva para que a gente possa agregar cada vez mais valor a esses bioativos.”
O trabalho do CBA envolve pesquisa, desenvolvimento e aplicação de tecnologias voltadas à agregação de valor aos bioativos amazônicos, fortalecendo a bioeconomia no estado.
Outro exemplo apresentado na feira foi o projeto Amazon Poranga Fashion, que integra moda, cultura e economia criativa ao uso de insumos da floresta. De acordo com o coordenador de projetos da iniciativa, Felipe Taveira, o movimento conecta criatividade, identidade regional e inovação.
“O Amazon Poranga Fashion tem tudo a ver com bioeconomia e inovação, porque a gente é um movimento que trata dos coletivos de marcas autorais e economia criativa, envolvendo artesãos e outros tipos de atribuições criativas que trazem os insumos amazônicos para transformá-los em produtos de alto valor agregado para comércio da moda e diversos outros segmentos.”
A iniciativa reforça o papel da identidade regional como elemento estratégico na geração de valor e na inserção de produtos amazônicos no mercado nacional e internacional.
Outro destaque foi a Aruak, startup que atua na transformação de insumos naturais e resíduos em bioativos para a indústria cosmética. O CEO da Aruak, José Ramirez, explicou que a proposta da empresa é aproveitar matérias-primas produzidas por comunidades locais.
“A Aruak nasce na cidade de Manacapuru, que é interior, com o propósito de absorver um maior número de produtos que os ribeirinhos e comunidades produzem para a gente transformar em bioativos e utilizá-los em nossos cosméticos. Atualmente nós estamos inseridos no CBA, somos uma startup de inovação.”
A empresa também aposta na reutilização de resíduos como matéria-prima, ampliando o conceito de sustentabilidade dentro da bioeconomia.
“Transformando o que eu chamo de lixo em luxo, usando tudo que é desprezado, os resíduos, e disso nós transformamos em bioativos para serem usados em cosméticos.”
Entre os produtos apresentados estão itens desenvolvidos a partir de insumos amazônicos, como camu-camu, óleos vegetais, copaíba, tucumã e andiroba, reforçando o potencial da floresta como fonte de inovação.
A bioeconomia já se consolida como um dos caminhos para o desenvolvimento do Amazonas, unindo inovação, sustentabilidade e valorização da floresta.
A presença desses projetos na Expopim 2026 evidencia o avanço da bioeconomia como alternativa estratégica para o futuro da região, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais e ampliando oportunidades de negócios no mercado global.