Invasão durou cerca de 20 minutos e levou à suspensão temporária de saques; especialistas suspeitam de hackers ligados à Coreia do Norte.
A Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker que resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 34 bilhões. A invasão ocorreu na quinta-feira (29), e a maior parte dos recursos foi transferida em cerca de 20 minutos. Segundo informações divulgadas pela Reuters nesta sexta-feira (30), o episódio é considerado o maior roubo de ativos digitais já registrado. A empresa suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos provocados pelo ataque.
Fundada em 2017, a Binance é uma plataforma que permite negociar e armazenar criptomoedas, como Bitcoin, Ether e outros ativos digitais. A corretora reúne mais de 335 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo e administra uma das maiores estruturas de negociação do setor. A dimensão do ataque provocou preocupação sobre a segurança das plataformas e seus mecanismos de proteção financeira.
De acordo com as primeiras investigações, os criminosos conseguiram comprometer sistemas responsáveis pela autorização de transferências de criptomoedas. Inicialmente, a Binance suspeitou que a invasão tivesse começado por um computador de um de seus engenheiros. Posteriormente, a empresa informou ter identificado outros possíveis pontos de acesso explorados durante a ação. A origem exata da falha ainda está sendo investigada.
As empresas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis apontaram indícios de envolvimento de hackers associados à Coreia do Norte. Segundo a TRM Labs, o ataque apresenta características semelhantes às operações realizadas pelo grupo TraderTraitor, ligado ao país asiático. A unidade também foi associada ao roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit, em 2025. Entretanto, a Binance ainda não confirmou oficialmente a identidade dos responsáveis.
Após a identificação do desvio, a Binance iniciou uma operação de rastreamento dos valores com apoio de empresas especializadas e autoridades internacionais. Até as primeiras atualizações desta sexta-feira, cerca de US$ 3 bilhões em ativos haviam sido localizados ou bloqueados. A medida impede a movimentação de determinadas criptomoedas, mas não significa que os recursos já tenham sido recuperados.
Entre as empresas que participaram do bloqueio estão a Tether, responsável pelo congelamento de aproximadamente US$ 1,57 bilhão, e a Circle, que bloqueou mais de US$ 800 milhões. A Ripple também informou ter congelado cerca de US$ 200 milhões. Parte dos valores desviados estava em stablecoins, criptomoedas vinculadas a ativos como o dólar, que podem ter transações bloqueadas por suas emissoras em determinadas circunstâncias.
Apesar das medidas, aproximadamente US$ 3,3 bilhões ainda tinham situação indefinida no balanço divulgado. Parte dos recursos desviados estava em Bitcoin e Ether, ativos que não possuem uma entidade central capaz de impedir diretamente sua movimentação. Isso dificulta o bloqueio imediato e aumenta os desafios para a recuperação do dinheiro.
A corretora afirmou que utilizará recursos próprios e reservas de emergência para compensar os prejuízos. Entre os mecanismos disponíveis está o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), criado para proteger clientes em situações de crise. A Binance também informou que está colaborando com o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos durante as investigações.
O ataque provocou uma reação negativa no mercado de criptomoedas. Nesta sexta-feira, o Bitcoin registrou queda superior a 3%, atingindo o menor patamar em seis semanas. O Ether também recuou mais de 3%, enquanto o BNB, ativo associado à Binance, sofreu desvalorização. As ações de empresas do setor, como a Coinbase, também foram afetadas pela instabilidade.