Política

Base governista se mobiliza para barrar projeto de anistia

Governo ameaça retaliações e planeja esvaziar quórum para dificultar votação.

15 de Setembro de 2025
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A proposta de anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro volta a movimentar o Congresso. Há expectativa de que a urgência seja pautada nesta terça-feira (16), com votação do mérito na quarta (17). Até agora, no entanto, não há texto definitivo: circulam apenas rascunhos, sem apresentação oficial.

Estratégia do governo

Desde a semana passada, a base governista intensificou as articulações. O governo liberou emendas e avisou que parlamentares que votarem a favor da urgência ou do mérito serão considerados fora da base. Há ainda a ameaça de retirada de cargos ocupados por indicações desses deputados. Para partidos com aproximação à direita, a orientação é que evitem comparecer à votação, numa tentativa de esvaziar o quórum e dificultar o avanço do projeto.

Movimento da oposição

A oposição afirma ter cerca de 300 votos para aprovar a urgência, mais que os 257 necessários. Líderes, principalmente do PL, pressionam o presidente da Câmara, Hugo Motta, e ameaçam obstruir a pauta caso a proposta não entre em votação.
Mesmo confiante na Câmara, a oposição reconhece que o cenário no Senado é desfavorável. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já sinalizou que não pretende pautar uma anistia ampla. Ele e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco discutem uma versão mais moderada, restrita à revisão das penas, sem extinguir condenações.

Reuniões de cúpula

Nesta segunda-feira (15), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com líderes partidários para alinhar estratégias. Outro encontro, às 19h30, deve definir os próximos passos diante de possíveis mudanças na pauta.
O governo também planeja usar as reuniões de terça (16) para recalibrar ações conforme os sinais do presidente da Câmara.

Papel de Tarcísio de Freitas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Jair Bolsonaro, cancelou viagem a Brasília que tinha como objetivo reforçar a articulação política em favor da anistia. Sua presença era considerada estratégica por integrar o mesmo partido de Hugo Motta.

O clima em Brasília é de alerta máximo, com governo e oposição em intensa disputa para definir o futuro do projeto.

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