Amazonas

Barco vira "piscina de peixes" no Amazonas e vídeo viraliza nas redes sociais

Cena registrada no Rio Purus impressiona pela fartura e reacende debate sobre pesca predatória

18 de Outubro de 2025
Foto: Reprodução

Um vídeo que mostra um barco repleto de peixes capturados no Rio Purus, no interior do Amazonas, viralizou nas redes sociais neste mês de outubro. As imagens, registradas pelo pescador Ediel Maciel, mostram o momento em que a embarcação se transforma em uma verdadeira “piscina” de peixes, impressionando internautas e gerando debate sobre o impacto ambiental da prática.

Segundo Ediel, a cena é comum na região nesta época do ano, quando espécies como pacu, sardinha e caracu formam grandes cardumes antes do início do período de defeso, intervalo em que a pesca é proibida para garantir a reprodução dos peixes. O vídeo foi gravado entre setembro e o início de outubro, quando ocorre o auge da fartura nos rios amazônicos.

“Todo ano é assim. O Rio Purus é muito rico. A diferença é que desta vez resolvemos filmar e publicar o vídeo”, contou o pescador, que vive há 45 anos na região. Ele explicou que o grupo utiliza redes do tipo “malha 20”, que permitem a fuga dos peixes menores, e que o pescado é selecionado antes de ser comercializado. “Um cardume desses pode ter de 300 mil a 400 mil peixes. Depois, a gente solta os pequenos e só leva o que o mercado compra”, acrescentou.

Apesar da repercussão positiva entre alguns internautas, o vídeo também gerou críticas e preocupações quanto à sustentabilidade da pesca. O doutor em Ecologia Aquática Edinbergh Oliveira alertou que a captura em massa pode prejudicar espécies migratórias que estão prestes a desovar. “Esse tipo de pescaria, um pouco antes do defeso, prejudica a saída dos peixes que irão se reproduzir. O excesso de captura neste momento afeta as futuras gerações de espécies como jaraquis e pacus”, explicou o especialista.

Edinbergh destacou que, embora o defeso do tambaqui já tenha começado em outubro, a pesca de outras espécies segue sob regras específicas, com cotas por barco e por período. “Se houver pesca em excesso em áreas próximas a unidades de conservação, pode haver autuação, multa e apreensão dos equipamentos. Uma fiscalização mais constante garantiria mais sustentabilidade aos estoques pesqueiros da Amazônia”, completou.

Ediel, por outro lado, afirma que respeita as regras do defeso e que a abundância é um ciclo natural do rio. “Nesse tempo, ninguém pesca o pacu nem a sardinha, porque estão ‘ovados’. Por isso, o peixe volta todo ano e até aumenta”, disse. Segundo ele, o peixe capturado é consumido pelas famílias ribeirinhas e o excedente é vendido em Manaus, principalmente na feira da Panair, uma das mais tradicionais da capital.

O pescador também revelou que vive na mesma região onde, em 2023, um deslizamento de terra destruiu uma vila e deixou dezenas de famílias desabrigadas. Ele perdeu a casa e o filho de 16 anos na tragédia. “Foi a maior dor da minha vida. Perdemos tudo, mas estamos reconstruindo. O governo federal liberou recursos e as obras já começaram”, contou.

Atualmente morando em Beruri (AM), Ediel continua vivendo da pesca e afirma que a vida nas margens do Purus segue o ritmo do rio. “Depois da piracema, começa o manejo do pirarucu e do tambaqui nos lagos. Cada período tem o seu peixe. O que o pessoal viu no vídeo é só um pedacinho da riqueza do nosso rio”, concluiu.

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