Pesquisas identificam microrganismos capazes de decompor resíduos plásticos com alta eficiência.
Com a baixa eficiência dos sistemas convencionais de reciclagem, cientistas têm buscado na natureza soluções para reduzir o impacto ambiental do plástico. Um dos caminhos mais promissores é a degradação microbiana, processo no qual bactérias e fungos utilizam enzimas para quebrar a estrutura dos polímeros sintéticos, transformando-os em compostos menos nocivos.
Entre os exemplos mais conhecidos está a bactéria Ideonella sakaiensis, descoberta no Japão, capaz de degradar completamente o polietileno tereftalato (PET), material comum em garrafas e embalagens de alimentos.
Outras espécies, como Gordonia e Arthrobacter, identificadas em pesquisa publicada na revista Polymer Degradation and Stability, demonstraram capacidade de decompor polipropileno e poliestireno em até 23% e 19,5%, respectivamente, em apenas 28 dias, sem necessidade de pré-tratamento.
Os cientistas destacam que a habilidade desses microrganismos não surgiu por causa da poluição recente, mas deriva de funções metabólicas adaptadas para degradar polímeros naturais, como celulose, quitina e cutina, que possuem estruturas semelhantes aos plásticos. Essa característica permite que enzimas já existentes sejam reaproveitadas para lidar com materiais sintéticos.
Além das bactérias, estudos também apontam para o potencial de outros organismos, como os vermes da cera (Galleria mellonella), que conseguem consumir sacolas plásticas graças aos microrganismos presentes em seu sistema digestivo.
O problema é urgente: a produção global de plástico já ultrapassa 460 milhões de toneladas por ano, sendo que cerca de metade corresponde a itens descartáveis de uso único. Apesar dos esforços de reciclagem, apenas 9% de todo o plástico produzido é efetivamente reaproveitado, enquanto o restante acaba em aterros, é incinerado ou se dispersa no meio ambiente, agravando a poluição.
Segundo especialistas, os avanços na microbiologia ambiental, engenharia genética e descoberta de novas enzimas podem tornar a biodegradação microbiana uma estratégia viável e escalável para combater a crise do plástico. A expectativa é que, aliada a políticas de economia circular, essa tecnologia se torne peça-chave para reduzir a poluição e atingir metas globais de sustentabilidade.