Autópsia revela lesões fatais em Juliana Marins após queda no Monte Rinjani
O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro concluiu a segunda autópsia do corpo da brasileira Juliana Marins, que morreu após cair durante uma escalada no Monte Rinjani, na Indonésia. O laudo apontou que a causa da morte foi hemorragia interna provocada por lesões traumáticas múltiplas, resultado de um forte impacto.
O exame, no entanto, teve limitações devido ao estado de conservação do corpo e ao processo de embalsamamento feito na Indonésia antes do traslado ao Brasil. Isso dificultou a identificação precisa do momento da morte e a análise de sinais clínicos como hipotermia, violência sexual ou desidratação.
Juliana caiu de uma encosta no dia 21 de junho, por volta das 6h da manhã no horário local, o que corresponde às 19h do dia 20 no horário de Brasília. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois, inicialmente a 200 metros da trilha. Ele foi retirado de uma profundidade entre 500 e 600 metros.
Em entrevista à BBC News Brasil, o alpinista irlandês Paul Farrell, que sobreviveu a um acidente semelhante, destacou que o terreno do Monte Rinjani é instável, com muitos pedregulhos, o que aumenta o risco de quedas graves. Ele também reforçou a dificuldade de mobilidade no local.
A autópsia brasileira constatou fraturas na pelve, crânio e tórax, além de lesões musculares e ressecamento ocular. Ainda que os peritos não tenham conseguido comprovar a contribuição de fatores ambientais, estimam que Marins pode ter sobrevivido por até 15 minutos após o impacto.
O laudo original da Indonésia, feito em 27 de junho, também indicou que a morte foi causada por trauma contundente, com danos internos e sangramento. O médico forense local afirmou que os ferimentos foram fatais quase imediatamente e que não havia sinais típicos de hipotermia.
A cronologia do caso indica que, após a queda, Marins foi vista com vida em imagens de drone. Dois dias depois, socorristas a localizaram presa em uma encosta rochosa. A confirmação da morte foi feita no dia 24, e o corpo foi resgatado em 25 de junho.
A família da brasileira criticou a lentidão na operação de resgate e entrou na Justiça para permitir uma nova autópsia no Brasil. Usuários de redes sociais também questionaram a segurança da trilha e o preparo das equipes de resgate locais.
Especialistas e alpinistas experientes alertam para as dificuldades técnicas da escalada no Rinjani. O trecho até o pico, conhecido como Letra E, é considerado de alto risco, com trilhas estreitas, solo instável e exposição a ventos fortes e neblina densa.
Após o caso, autoridades do Parque Nacional do Monte Rinjani anunciaram uma reavaliação dos procedimentos de segurança, instalação de novas estruturas de proteção e aumento de efetivo nos pontos mais perigosos da montanha, além de reforçar a obrigatoriedade de guias para todos os escaladores.