Saúde

Atraso de salários ameaça funcionamento da UPA Tabatinga no Alto Solimões

Mais de 140 profissionais terceirizados acumulam três meses sem pagamento.

24 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Mais de 140 profissionais de saúde da UPA Tabatinga, no Alto Solimões, estão há três meses sem receber salários e podem iniciar paralisação parcial a partir de 25 de setembro. Enfermeiros, técnicos de enfermagem e radiologistas, contratados pela empresa Discol, relatam que não há previsão de pagamento, situação já informada à Prefeitura, à direção da unidade e ao Ministério Público.

A UPA é a única unidade de média e alta complexidade da região, responsável pelo atendimento de cerca de 100 mil moradores de nove municípios. Caso a paralisação ocorra, a assistência de urgência e emergência ficará comprometida, aumentando o risco para pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados do Portal da Transparência do Amazonas indicam que a Discol presta serviços para a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) sem contrato formal, recebendo pagamentos indenizatórios desde 2019. Em 2025, a empresa já recebeu R$ 8,7 milhões, mas a última nota de empenho referente à UPA foi quitada em julho, referente à competência de maio.

Além dos salários atrasados, a unidade enfrenta problemas estruturais como falta de medicamentos, centro cirúrgico fechado há dois anos, mobiliário deteriorado e equipamentos sem instalação. Profissionais denunciam sobrecarga de trabalho e dificuldades para manter o atendimento.

Reunião com profissionais da saúde no município de Tabatinga com o deputado estadual Wilker Barreto (Foto: Divulgação)

O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) esteve em Tabatinga no último dia 19, conversou com os trabalhadores e apresentou, na Assembleia Legislativa, novo alerta ao governo estadual. Ele já havia protocolado requerimentos para garantir pagamentos e abastecimento de medicamentos, reforçando agora a necessidade de uma solução imediata.

Durante a sessão, o parlamentar defendeu que a SES-AM regularize os salários e avalie a contratação direta dos profissionais, por meio de um Termo de Ajuste de Gestão que garanta a realização de concurso público em prazo determinado. Ele também pediu a fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) sobre os repasses indenizatórios feitos à empresa.

Wilker Barreto afirmou que, se não houver posicionamento do governo, solicitará a convocação da secretária de Saúde para prestar esclarecimentos. Segundo ele, a medida busca garantir transparência e rapidez nas ações, evitando que a população do Alto Solimões fique desassistida.

Enquanto aguardam uma resposta oficial, os profissionais continuam atendendo, mas reforçam que a paralisação parcial é a única alternativa caso não haja pagamento imediato dos salários e reestruturação da UPA Tabatinga.

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