Brasileiro foi detido após interceptação de flotilha que levava ajuda humanitária para Gaza.
O ativista brasileiro Thiago Ávila foi solto em Israel no último sábado (9) e deve ser deportado para o Brasil nos próximos dias. A informação foi divulgada pelo Centro de Direitos Humanos Adalah, organização que presta assistência jurídica e acompanha o caso. Além dele, o espanhol-palestino Saif Abu Keshek também será libertado e entregue às autoridades de imigração para deportação.
A prisão ocorreu após forças israelenses interceptarem uma embarcação da Global Sumud Flotilla, missão internacional que tentava levar alimentos e itens básicos de sobrevivência à população da Faixa de Gaza. Segundo a Reuters, os dois ativistas foram detidos em águas internacionais no dia 29 de abril, durante a ação contra a flotilha que havia partido da Espanha em 12 de abril.
Entenda o caso
Thiago Ávila integrava a delegação brasileira da Global Sumud Flotilla, grupo que saiu de Barcelona com destino a Gaza. A embarcação foi abordada nas proximidades da ilha grega de Creta, enquanto outras dezenas de ativistas pró-Palestina, que estavam em cerca de 20 barcos, foram levadas para a ilha grega.
De acordo com o Adalah, a agência de inteligência israelense Shabak informou à equipe jurídica da organização que Thiago Ávila e Saif Abu Keshek seriam transferidos ainda neste sábado para as autoridades migratórias, enquanto aguardam a deportação aos países de origem. A entidade informou ainda que os interrogatórios foram encerrados.
A organização de direitos humanos afirmou que os dois ativistas ficaram em isolamento total, sob condições consideradas punitivas. O Adalah também declarou que acompanha de perto a situação dos detidos e informou que Thiago e Saif estavam em greve de fome desde o início da prisão.
Na última terça-feira (5), o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, havia prorrogado a prisão dos ativistas até domingo (10). A decisão foi tomada pelo juiz Yaniv Ben-Haroush, antes da informação sobre a transferência dos dois para o processo de deportação.
A extensão da prisão de Thiago Ávila foi criticada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a medida como injustificável. O governo brasileiro, assim como o governo espanhol, cobrou garantias de segurança e a libertação imediata dos ativistas, considerando a detenção uma afronta ao direito internacional.
O caso ocorre em meio à crise humanitária em Gaza e à pressão internacional sobre as restrições à entrada de ajuda no território palestino. Em outubro do ano passado, militares israelenses já haviam abordado outra flotilha da organização e detido mais de 450 participantes, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.