Narges Mohammadi foi detida após histórico de luta pelos direitos das mulheres.
A ativista iraniana de direitos humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, foi presa de forma “brutal” no Irã e deve ser libertada imediatamente, segundo afirmou nesta sexta-feira o Comitê Norueguês do Nobel, responsável pela concessão do prêmio. A detenção ocorreu em Teerã e gerou forte reação internacional por parte da entidade.
Narges Mohammadi já cumpriu diversas sentenças impostas pelas autoridades iranianas, sob acusações que incluíam a divulgação de propaganda contra a República Islâmica. No fim do ano passado, ela havia sido libertada da prisão de Evin, na capital iraniana, após a suspensão de sua pena para a realização de tratamento médico.
A ativista recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023, em reconhecimento a uma campanha de mais de três décadas em defesa dos direitos das mulheres e da abolição da pena de morte no Irã, tornando-se um símbolo internacional da resistência contra a repressão no país.
“O Comitê Norueguês do Nobel pede às autoridades iranianas que esclareçam imediatamente o paradeiro de Mohammadi, garantam sua segurança e integridade e a libertem sem condições”, afirmou o órgão em comunicado oficial divulgado após a confirmação da prisão.
A detenção ocorreu um dia após a chegada à Noruega da vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a venezuelana Maria Corina Machado, fato destacado pelo comitê em sua manifestação pública sobre o caso.
“Dada a estreita colaboração entre os regimes do Irã e da Venezuela, o Comitê Norueguês do Nobel observa que a Sra. Mohammadi foi presa no momento em que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido à líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado”, declarou o comitê.