Juros elevados freiam produção, emprego e utilização da capacidade instalada.
A atividade industrial brasileira apresentou queda acima do padrão esperado para o período em novembro, segundo a Sondagem Industrial divulgada nesta terça-feira (16) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, o principal fator para a desaceleração é o patamar elevado da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.
Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, os juros altos impactam diretamente a economia ao encarecer o crédito e reduzir a demanda por bens industriais. “O patamar elevado das taxas de juros e seus desdobramentos, que acabam puxando o freio da economia e prejudicando a demanda por bens industriais por meio do encarecimento do crédito e das perspectivas de um ritmo mais fraco para a atividade econômica”, explicou. A pesquisa ouviu 1.402 empresas de todo o país.
O índice de evolução da produção industrial caiu 7,1 pontos em novembro, atingindo 44,4 pontos. O resultado indica retração significativa da atividade no período, já que valores abaixo de 50 pontos apontam queda em relação ao mês anterior.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) acompanhou o movimento negativo e recuou 1 ponto percentual, ficando em 70%. Segundo a CNI, esse é o menor nível registrado para o mês de novembro desde 2019, refletindo o desaquecimento do setor.
O mercado de trabalho industrial também apresentou piora. O indicador de evolução do número de empregados caiu 1,2 ponto, chegando a 47,6 pontos, o que demonstra redução no contingente de trabalhadores entre outubro e novembro.
Outro sinal de enfraquecimento da demanda é o aumento dos estoques. O índice de estoque efetivo subiu para 50,7 pontos em novembro, indicando que as empresas estão com volumes acima do planejado. Para a CNI, esse resultado reforça a percepção de menor procura por produtos industriais.
As exportações registraram leve melhora, mas permanecem em patamar considerado pessimista, com 48,4 pontos, sinalizando retração no curto prazo do comércio externo do setor industrial.
Já a intenção de investimento subiu pelo terceiro mês consecutivo e alcançou 55,9 pontos em dezembro. Apesar do avanço recente, o indicador encerra o ano três pontos abaixo do nível registrado em dezembro de 2024. Segundo Larissa Nocko, os dados mostram que o cenário segue praticamente inalterado, sem sinais consistentes de recuperação à frente para a indústria brasileira.