Quinta-Feira, (01 de Outubro de 2026)
Brasil

Ataques a jornalistas crescem durante período eleitoral, alerta FENAJ

Monitoramento identificou mais de 7 mil ataques à imprensa até setembro; mulheres foram maioria entre os alvos.

Por: Portal Amz em Pauta
01 de Outubro de 2026
Foto: Carolina Curi / Senado

O período eleitoral tem ampliado os riscos para jornalistas que atuam na cobertura política no Brasil, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e entidades ligadas à defesa da liberdade de imprensa. Dados reunidos pela categoria apontam crescimento dos ataques virtuais e presenciais, com aumento da exposição de profissionais durante campanhas, atos políticos e coberturas em locais de votação.

De acordo com o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2024, os meses de maio a outubro concentraram 38,9% dos ataques registrados naquele ano, período que coincidiu com as eleições municipais. Políticos, assessores e apoiadores responderam por quase 40% das autorias identificadas no levantamento.

Neste ano, a Coalizão em Defesa do Jornalismo, formada por 11 entidades, entre elas a FENAJ, iniciou em 16 de agosto um monitoramento específico dos ataques contra jornalistas e veículos de imprensa nas redes sociais. Nas duas primeiras semanas, foram analisadas mais de 1,7 milhão de postagens. Até 12 de setembro, haviam sido registrados 7.030 ataques à imprensa, sendo 3.485 relacionados à disputa presidencial e 1.191 às eleições estaduais. Do total, 67% foram direcionados a jornalistas mulheres.

Para a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, os números exigem resposta coordenada. “Esses números mostram um cenário alarmante de crescimento dos ataques, que subiram mais de cem por cento de uma semana para outra, e exigem das entidades, empresas, Ministério Público e órgãos do governo ações efetivas para evitar a escalada desses ataques”, afirma.

Diante do cenário, a FENAJ orientou os 31 sindicatos filiados em todo o país a manterem plantões durante o período eleitoral e a disponibilizarem telefones para atendimento rápido à categoria. A Federação também recomendou às empresas de comunicação a adoção de medidas de proteção, como envio de equipes completas para coberturas de maior risco, oferta de assessoria jurídica e autorização para retirada imediata de profissionais de pautas em situações de ameaça.

Outra frente de atuação é o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão criou um grupo de trabalho específico para o período eleitoral e lançou materiais com orientações de prevenção, atendimento e denúncia. Entre eles está o guia “Como agir diante da violência contra jornalistas e comunicadores em período eleitoral”.

As denúncias podem ser registradas pela plataforma FalaBR, em canal permanente destinado também a casos ocorridos fora do período eleitoral. “É importante salientar que esse canal de denúncia não funciona apenas no período eleitoral. Ele é permanente para registrar e agir sobre casos de violência contra jornalistas no exercício da profissão”, reforça Norian Segatto, representante da FENAJ no Observatório. A recomendação das entidades é que jornalistas não enfrentem situações de ameaça de forma isolada e busquem apoio sindical, institucional e das próprias empresas de comunicação.

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