Ciência e Tecnologia

Astrônomos detectam objeto misterioso emitindo sinais regulares na Via Láctea

Corpo celeste emite raios X e ondas de rádio a cada 44 minutos.

28 de Maio de 2025

Emissões de raios X (em azul), combinadas com dados de infravermelho obtidos pelo Telescópio Espacial Spitzer (em tons de ciano, azul-claro, verde-azulado e laranja).

Foto: Spitzer / Chandra / Nasa

Astrônomos identificaram um novo e estranho objeto na Via Láctea, localizado a cerca de 15 mil anos-luz da Terra, em uma região densa da galáxia repleta de estrelas, gás e poeira. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (28), trata-se de um corpo celeste que pode ser uma estrela, um par de estrelas ou algo completamente novo para a ciência.

O objeto foi detectado emitindo raios X ao mesmo tempo em que dispara ondas de rádio, um comportamento altamente incomum. O mais intrigante é que essa atividade ocorre em ciclos regulares de 44 minutos, durante períodos de maior intensidade.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada por Ziteng Andy Wang, da Universidade Curtin, na Austrália. O estudo foi publicado na prestigiada revista científica Nature.

“Embora nossa descoberta ainda não resolva o mistério do que exatamente são esses objetos, e talvez até o aprofunde, estudá-los nos aproxima de duas possibilidades”, afirmou Wang. “Ou estamos diante de algo completamente novo, ou estamos observando um tipo já conhecido de objeto que se comporta de uma forma nunca antes registrada.”

Descoberta por acaso

O Observatório de Raios X Chandra, da NASA, foi responsável por detectar a emissão incomum no ano passado, de forma acidental, enquanto observava os restos de uma supernova, a explosão de uma estrela. Foi a primeira vez que esse tipo de emissão foi registrada a partir de um transiente de rádio de longo período, categoria de objeto que emite sinais de rádio em ciclos de dezenas de minutos.

Apesar da proximidade aparente com os restos da supernova, os cientistas alertam que ainda não é possível afirmar que ambos os fenômenos estão relacionados, já que a distância exata do objeto ainda é incerta.

O corpo celeste foi batizado de ASKAP J1832−091, e sua fase de maior atividade durou aproximadamente um mês. Fora desse intervalo, não foram observadas emissões significativas de raios X. Isso pode indicar que existam muitos outros objetos semelhantes no universo, mas que ainda não foram detectados pelos instrumentos atuais.

Natureza ainda indefinida

De acordo com Wang, o objeto pode ser uma estrela de nêutrons altamente magnetizada ou uma anã branca, ambas categorias de estrelas mortas. No entanto, também é possível que se trate de "algo exótico" e ainda desconhecido, como descreve o pesquisador.

Lançado em 1999, o Observatório Chandra continua operando em órbita, a dezenas de milhares de quilômetros da Terra, e é utilizado para investigar os fenômenos mais quentes e energéticos do universo.

A comunidade científica agora acompanha de perto os próximos estudos sobre o ASKAP J1832−091, à espera de que esse mistério cósmico possa ser desvendado.

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