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Associação internacional acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza

Resolução da IAGS cita ataques contra civis, fome e deslocamentos forçados.

01 de Setembro de 2025
Foto: Médicos sem Fronteiras / Divulgação

A Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio (IAGS) aprovou no último domingo (31) uma resolução que acusa Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza. O texto recebeu apoio de mais de dois terços dos cerca de 500 integrantes da entidade, considerada a principal referência mundial em pesquisas sobre o crime de genocídio.

De acordo com o documento de três páginas, Israel estaria praticando “crimes sistemáticos e generalizados contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio, incluindo ataques indiscriminados e deliberados contra civis e infraestrutura civil (hospitais, residências, edifícios comerciais, etc.) de Gaza”.

Acusações contra Israel

A resolução aponta a morte e os ferimentos de mais de 50 mil crianças palestinas, a destruição de escolas, universidades, bibliotecas e museus, além da demolição de mais de 90% da infraestrutura habitacional do território. Para os estudiosos, esses atos configuram genocídio conforme o artigo 2º da Convenção para a Prevenção do Genocídio da ONU, de 1948.

Segundo a associação, as ações de Israel incluem tortura, detenção arbitrária, violência sexual, ataques deliberados contra médicos, trabalhadores humanitários e jornalistas, além da privação de alimentos, água, medicamentos e eletricidade. O texto ainda ressalta que autoridades israelenses classificaram palestinos como “animais humanos” e expressaram intenção de infligir “dano máximo” a Gaza.

A IAGS também destacou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria endossado a ideia de expulsar todos os palestinos de Gaza sem direito de retorno, algo considerado pela ONU equivalente a limpeza étnica.

Fome e colapso humanitário

O documento acusa Israel de destruir deliberadamente campos agrícolas, armazéns de alimentos e padarias, ao mesmo tempo em que restringe a entrada de ajuda humanitária. Tais ações, segundo a entidade, estariam provocando fome generalizada em Gaza, que já atingiu o nível 5 de insegurança alimentar, classificado como catástrofe pela FAO.

Reação de Israel

O governo israelense rejeitou as acusações e disse que a resolução da IAGS “é uma vergonha para a profissão jurídica e para qualquer padrão acadêmico”.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o posicionamento da associação “baseia-se inteiramente na campanha de mentiras do Hamas” e que, pela primeira vez, estudiosos acusam “a própria vítima de genocídio”, em referência aos ataques de 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas em território israelense.

Israel sustenta que suas operações têm como alvo apenas o Hamas e que o objetivo central é recuperar reféns e neutralizar militantes, negando qualquer intenção de eliminar a população palestina.

Contexto internacional

O país também responde a uma ação por genocídio movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), processo que conta com apoio de várias nações, incluindo o Brasil. Organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch também classificam as ofensivas em Gaza como genocídio, o que Israel rejeita.

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