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Argentina realiza terceira greve geral contra ajuste fiscal de Milei

Trabalhadores de diversos setores, incluindo transportes e serviços públicos, aderem à paralisação de 24 horas em protesto às políticas econômicas do governo.

10 de Abril de 2025
Foto: Reprodução / Internet

Nesta quinta-feira (10), a Argentina vivenciou sua terceira greve geral contra o ajuste fiscal promovido pelo governo de Javier Milei. Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, a greve contou com a adesão de trabalhadores de vários setores, como transportes, portos, aeroportos, educação, saúde, bancários e administração pública, além de aposentados. 

A paralisação de 24 horas causou grandes impactos na mobilidade urbana e nos serviços públicos. Em Buenos Aires, os metrôs e trens não circularam, e diversos voos foram cancelados, afetando o transporte aéreo. Por outro lado, os ônibus continuaram operando. Na véspera da greve, uma manifestação de trabalhadores e aposentados também ocorreu na capital argentina. 

A principal reivindicação da CGT é contra os cortes de gastos que, segundo a central sindical, têm prejudicado a classe trabalhadora e os aposentados, enquanto, de acordo com a entidade, o setor financeiro tem visto seus lucros aumentarem de forma desproporcional. Em comunicado oficial, a CGT afirmou que o "ansiado equilíbrio fiscal" está sendo alcançado à custa do "desmantelamento do Estado", das privatizações e da redução dos orçamentos para saúde e educação. 

“Ao longo dessa gestão, o custo do ajuste recaiu sobre os trabalhadores ativos e aposentados, enquanto o setor financeiro multiplicou obscenamente seus lucros. O ansiado equilíbrio fiscal – obtido por meio do desmantelamento do Estado, de seus organismos de controle, de suas empresas e do abandono das obras públicas – multiplicou o desequilíbrio social”, criticou a central sindical. 

Além disso, a CGT denunciou a "insensibilidade" do governo frente às demandas dos trabalhadores e dos aposentados e pediu negociações livres para reajustes salariais, aumento de aposentadorias e reativação das obras públicas no país. 

A CGT ainda comparou a situação da Argentina com a de outros países da América Latina, afirmando que, enquanto o país foi exemplo de integração e mobilidade social, atualmente, "somos exemplo grosseiro de um fanatismo individualista e de uma ideia de liberdade vazia, onde impera o salve-se quem puder", completou a central sindical. 

Em resposta, o presidente Javier Milei reagiu nas redes sociais, compartilhando críticas de seus aliados e simpatizantes à greve geral. Entre eles, o deputado federal Damián Arabia postou: "Feliz quinta-feira a todos, exceto aos caras que organizaram a terceira greve geral em um ano." 

O ajuste fiscal e seus efeitos 

O governo de Milei sustenta que os cortes de gastos são necessários para a recuperação econômica e para a redução da inflação, que tem apresentado queda nos últimos meses. Dados oficiais apontam que a inflação anual caiu de 289% em março de 2024 para 66% em fevereiro de 2025, resultado de uma recessão econômica que afeta o país, segundo o economista Paulo Gala, consultado pela Agência Brasil. 

Contudo, críticos afirmam que, embora a inflação tenha diminuído, o custo social do ajuste fiscal é elevado, com a classe trabalhadora e os mais pobres pagando o preço da estabilização econômica. A pobreza, que ultrapassou os 54% da população no primeiro semestre de 2024, caiu para 38% no segundo semestre do ano, um índice que se aproxima ao de antes de Milei assumir a presidência, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). 

Enquanto isso, o governo argentino está em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um novo acordo, que inclui a liberação de US$ 20 bilhões para reforçar as reservas do Banco Central do país. Esse será o terceiro empréstimo do país com o FMI desde 2018, durante o governo de Maurício Macri, e o 23º na história da Argentina. 

 

Com informações da Agência Brasil.

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