Brasil

Antas são vistas no Rio de Janeiro após 100 Anos consideradas extintas

Flagrantes registrados por armadilhas fotográficas indicam população estabelecida da espécie no estado

08 de Janeiro de 2025
Foto: Ascom-Instituto Estadual do Ambiente/Divulgação

Após 100 anos sem registros, antas (Tapirus terrestris) foram vistas novamente em vida livre no estado do Rio de Janeiro, em uma surpreendente redescoberta pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O último registro da espécie no estado havia sido feito em 1914. Consideradas extintas na natureza fluminense, as antas eram encontradas apenas em instituições de proteção à fauna ou em projetos de reintrodução com animais nascidos em cativeiro. 

O flagrante foi feito por meio de armadilhas fotográficas instaladas pelo Inea, com apoio da Vale, que firmou parceria com o instituto em 2020 para ações de conservação da biodiversidade no Parque Estadual Cunhambebe, na Costa Verde. Ao todo, 108 registros foram feitos pelas dez câmeras de monitoramento, incluindo imagens de grupos de até três indivíduos e uma fêmea com filhote, sugerindo a presença de uma população bem estabelecida da espécie na região. 

“É a primeira vez, em dez décadas, que são flagrados, registrados e monitorados no Rio de Janeiro tais animais em total vida livre, ou seja, indivíduos que não dependeram de ação humana direta ou projetos de reintrodução de fauna,” afirmou o Inea. 

O secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, destacou que as unidades de conservação estaduais são responsáveis pela proteção direta de quase meio milhão de hectares de Mata Atlântica no estado. "Essa redescoberta é um marco não só para o Rio de Janeiro, mas para a ciência", declarou Rossi. 

A anta-brasileira, mamífero terrestre que pode pesar até 250 quilos, desempenha um papel vital no ecossistema, atuando como dispersora e predadora de sementes, o que contribui para a manutenção de seu habitat natural. Sua habilidade de se movimentar em diferentes terrenos, incluindo áreas alagadas, torna a espécie bem adaptada à vida selvagem. 

Considerada vulnerável e incluída na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, a anta havia sido extinta no estado devido à perda de habitat, caça e urbanização. O último registro da espécie no Rio de Janeiro data de 1914, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. 

“Apresentar esses registros da anta, após mais de 100 anos classificada como extinta no estado do Rio de Janeiro, é um momento histórico e significativo. A partir do material capturado pelas armadilhas fotográficas, é possível promover estratégias eficazes de conservação e conscientizar a sociedade sobre a importância da biodiversidade e do fortalecimento dos ecossistemas locais”, afirmou Renato Jordão, presidente do Inea. 

O Parque Estadual Cunhambebe, que abrange quase 40 mil hectares de áreas naturais protegidas, além das ações de proteção ambiental, promove a educação ambiental e engaja as comunidades do entorno na preservação da biodiversidade local.

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