Estado lidera no Norte número de dependentes do programa social; Manaus concentra maioria
O Amazonas está entre os 12 estados brasileiros que têm mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. A informação é baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no fim de maio. A situação reflete uma realidade concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Somente em maio de 2024, mais de 644,9 mil famílias dos 62 municípios do Amazonas foram contempladas com o benefício. O volume total de repasses no estado foi de R$ 466,4 milhões, com um valor médio por família de R$ 723,61 acima da média nacional.
Em Manaus, capital do estado, 258.999 famílias receberam o Bolsa Família, sendo o maior número registrado entre os municípios amazonenses. Parintins (21.754), Manacapuru (20.843), Itacoatiara (17.035) e Autazes (16.272) aparecem logo em seguida no ranking estadual de beneficiários.
A dependência do programa social é ainda mais evidente em cidades pequenas. Em Santo Antônio do Içá, com 28,2 mil habitantes, 4.225 famílias são beneficiadas. Lá, o valor médio do Bolsa Família foi o maior do estado em maio: R$ 883,23 por família. Outros municípios com médias elevadas são Jutaí, São Gabriel da Cachoeira e Itamarati.
No total, 345,3 mil crianças de 0 a 6 anos receberam o Benefício Primeira Infância no Amazonas, com repasses que somaram R$ 49,6 milhões. Já os benefícios complementares de R$ 50 chegaram a 605,4 mil crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, além de 29,2 mil gestantes e 9,7 mil nutrizes.
O programa também alcançou públicos prioritários no estado, como 72 mil famílias indígenas, 5.429 quilombolas, 1.719 famílias em situação de rua e outras em condições de vulnerabilidade extrema. A diversidade do público reforça a importância do Bolsa Família como rede de proteção social no Amazonas.
Apesar da alta cobertura, o cenário nacional mostra sinais de reversão. Desde janeiro de 2023, o número de trabalhadores formais vem crescendo. Naquele mês, os beneficiários representavam 49,6% dos empregos formais no Brasil; em agosto de 2024, a proporção caiu para 42,6%.
A reversão se deve à retomada do emprego com carteira assinada e à revisão dos cadastros, principalmente de famílias unipessoais. Ainda assim, no Amazonas, a presença do Bolsa Família continua essencial diante da informalidade e da vulnerabilidade social em grande parte do estado.
O avanço do emprego formal continua sendo um dos desafios no Norte do país. Enquanto estados como Santa Catarina têm 11 empregos formais para cada beneficiário, o Amazonas segue em sentido oposto, evidenciando a necessidade de políticas públicas que estimulem o desenvolvimento econômico e a geração de empregos com carteira assinada.