Meio Ambiente

Amazonas pode enfrentar calor extremo, seca e redução das chuvas nos próximos meses

Projeções indicam fortalecimento do El Niño e aquecimento do Atlântico, elevando riscos de queimadas e impactos nos rios.

Por: Portal Amz em Pauta
25 de Julho de 2026
Foto: Junio Matos / A CRÍTICA

O Amazonas pode registrar um trimestre marcado por temperaturas acima da média, chuvas abaixo do esperado e intensificação da vazante dos rios entre os meses de agosto e outubro deste ano. O cenário é apontado por projeções meteorológicas que indicam o fortalecimento do fenômeno El Niño aliado ao aquecimento das águas do Oceano Atlântico.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, o período já corresponde à estação mais quente e seca do ano na região, conhecida como verão amazônico. No entanto, a atuação simultânea desses fenômenos climáticos pode agravar as condições e favorecer episódios de calor intenso, aumento das queimadas e dificuldades no abastecimento de comunidades.

As previsões apontam ainda para maior risco de incêndios florestais, piora da qualidade do ar por causa da fumaça e restrições na navegação dos rios Solimões, Negro, Madeira, Purus e Juruá, que podem sofrer redução mais acelerada dos níveis de água durante a vazante.

Segundo a especialista, existe 81% de probabilidade de o El Niño alcançar a categoria de "muito forte" entre outubro e dezembro de 2026. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) também indicam que o evento climático tem potencial para figurar entre os mais intensos da série histórica, embora ainda esteja em fase de fortalecimento.

O calor registrado nas últimas semanas em Manaus é explicado, principalmente, pelo verão amazônico, período em que há redução das chuvas e da cobertura de nuvens, aumentando a incidência de radiação solar sobre a superfície. Com menos umidade no solo, diminui também o efeito de resfriamento provocado pela evaporação da água.

A meteorologista ressalta que o El Niño atua como um fator de intensificação desse cenário ao favorecer a diminuição das chuvas na região Norte. A combinação entre solo seco, altas temperaturas e precipitações abaixo da média cria condições favoráveis para ondas de calor e novos recordes de temperatura.

Previsões da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe) indicam temperaturas acima da média em todo o Amazonas entre agosto e outubro. Durante esse período, os termômetros podem ultrapassar os 35°C com frequência, enquanto marcas próximas de 40°C, embora menos comuns, não estão descartadas.

A redução das chuvas também deve acelerar a vazante dos rios. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou o início da descida dos níveis dos rios Solimões e Negro, em Manaus. O pico da estiagem costuma ocorrer entre setembro e novembro, podendo comprometer a navegação e dificultar o transporte de pessoas e mercadorias em diversas regiões do estado.

Além dos impactos ambientais e logísticos, a população poderá enfrentar problemas relacionados à saúde. Em Manaus, a combinação de calor e alta umidade deve aumentar a sensação de abafamento, enquanto no interior a presença de fumaça e ar mais seco pode favorecer casos de desidratação, irritação das vias respiratórias e agravamento da qualidade do ar.

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