Estudo aponta que 80% dos ataques têm relação com defesa ambiental e territorial.
O Amazonas ocupa a sexta posição no ranking nacional de violência contra defensores de direitos humanos, segundo o estudo Na Linha de Frente, divulgado nesta semana pela organização Terra de Direitos. Entre 2023 e 2024, o estado registrou 25 casos, incluindo três assassinatos.
Na região Norte, o Amazonas fica atrás apenas do Pará, que contabilizou 103 ocorrências. Os dados mostram que a violência registrada no estado representa 5,1% do total nacional. No Brasil, foram mapeados 486 casos no período, sendo 80,9% contra pessoas que atuam na defesa ambiental e territorial, entre elas, lideranças indígenas, quilombolas e camponesas.
O coordenador executivo da Terra de Direitos, Darci Frigo, alertou para a atuação de diferentes atores no agravamento da violência. “O estudo evidencia que há outros atores, públicos e privados, atuando no terreno, como as forças políticas regionais ou locais que se mobilizam para bloquear esses avanços, usando da criminalização via poder judiciário, ou da violência através da pistolagem, das polícias militares ou, o que é novo, a invasão do crime organizado nos territórios”, afirmou.
O levantamento também revelou que, dos 55 assassinatos registrados no período, 78% das vítimas eram homens cisgênero, 36,4% eram negras e 34,5% indígenas. Apenas 9,1% eram brancas. A maioria dos crimes ocorreu em áreas rurais e territórios tradicionais, onde líderes enfrentam interesses de grileiros, fazendeiros e grandes empreendimentos.
As mulheres continuam sendo alvo: foram identificados 12 assassinatos de defensoras, sendo 10 mulheres cis e duas trans.
O ranking nacional é liderado por Pará (103 casos), seguido por Bahia (50), Mato Grosso do Sul (49), Paraná (44), São Paulo (33) e Amazonas (25). Até o fechamento desta matéria, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) não respondeu aos questionamentos sobre medidas para conter a violência contra defensores de direitos humanos.
Com informações do G1 Amazonas.