Quarta-Feira, (23 de Setembro de 2026)
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Alexandre Pires é alvo da PF em operação sobre cassiterita Yanomami

Cantor aparece no núcleo financeiro de investigação que apura lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e comercialização ilegal de minério.

Por: Portal Amz em Pauta
23 de Setembro de 2026
Foto: Érico Andrade / g1 / Arquivo

O cantor Alexandre Pires foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quarta-feira (23), durante a Operação Disco de Ouro II. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de lavar dinheiro e usar documentos falsos em um esquema ligado à comercialização ilegal de cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

A Justiça Federal expediu 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens para o sequestro de bens e valores. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Federal de Boa Vista. Não há mandados de prisão nesta fase da operação. Endereços ligados ao cantor, incluindo uma residência e sua produtora em Uberlândia, Minas Gerais, estão entre os locais onde as buscas são cumpridas.

Segundo a investigação, Alexandre Pires e a empresa ligada a ele aparecem no chamado núcleo financeiro do grupo. A Polícia Federal apura a suspeita de que contas e empresas tenham sido usadas para fracionar, ocultar e dissimular recursos relacionados ao esquema. A empresa do cantor teria recebido R$ 4.434.050 de contas associadas aos investigados. O fluxo financeiro cruzado mapeado pelos investigadores chega a R$ 31.035.050.

A apuração aponta Diego Possebon como operador central e líder da organização investigada. Matheus Possebon, que foi empresário de Alexandre Pires, também é alvo da operação. De acordo com a investigação, o grupo usava licenças de lavra garimpeira de Itaituba, no Pará, para dar aparência legal à cassiterita extraída de forma irregular da Terra Yanomami.

A Polícia Federal já havia apreendido mais de 100 toneladas de cassiterita ilegal e cerca de um quilo de ouro em Roraima durante as investigações. Após a perda do minério, o grupo teria enfrentado dificuldades para cumprir um contrato internacional com uma empresa suíça.

Ainda conforme a apuração, para manter o recebimento de pagamentos antecipados, integrantes do grupo teriam montado uma operação em armazéns de Manaus e enviado areia e pó de brita no lugar do minério. Laudos químicos falsificados também teriam sido utilizados. A fraude teria provocado prejuízo estimado em US$ 48 milhões.

Os investigadores também apuram a movimentação de valores para o exterior e o retorno do dinheiro ao Brasil por meio de operações financeiras e contratos considerados fictícios. Parte dos recursos teria sido distribuída entre contas de familiares, empresas de fachada, conhecidos e intermediários sem ligação direta com o setor mineral.

A Operação Disco de Ouro II é um desdobramento da primeira fase deflagrada em 2023. Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica, operação irregular de instituição financeira e outros crimes que possam ser identificados durante a apuração.

Até a última atualização das informações, a defesa de Alexandre Pires ainda não havia se manifestado sobre a nova operação.

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