Deputada cita recordes de feminicídio e estupro e cobra medidas mais duras no Amazonas.
Na primeira sessão plenária após a retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a deputada Alessandra Campelo (Podemos) fez um alerta sobre os números recordes de feminicídio e estupro no Brasil, divulgados recentemente por órgãos oficiais. Em pronunciamento nesta quarta-feira (4), a parlamentar afirmou que os dados revelam um cenário grave e reforçou que “as mulheres estão pedindo socorro”.
Ao comentar os registros de 2025, Alessandra Campelo destacou que 1.470 mulheres foram assassinadas no país por motivação de gênero, a maioria morta por companheiros, ex-companheiros ou familiares. Segundo a deputada, os números indicam que uma mulher foi vítima de feminicídio a cada seis horas no Brasil, com dados ainda sujeitos a atualização.
A parlamentar também chamou atenção para os casos de violência sexual. De acordo com informações repassadas pelos estados e pelo Distrito Federal ao Ministério da Justiça, mais de 83 mil ocorrências de estupro e estupro de vulnerável foram registradas em 2025, o que representa uma média de 227 vítimas por dia. Alessandra Campelo ressaltou que se trata de um crime com alto índice de subnotificação, o que pode tornar o cenário ainda mais grave.
Ao abordar a situação no Amazonas, a deputada destacou o crescimento no número de pedidos de medidas protetivas, que passaram de 9 mil em 2024 para 12 mil em 2025. Embora tenha havido redução nos casos de feminicídio no estado, de 29 para 20 no mesmo período, ela avaliou que a violência doméstica continua em ritmo elevado.
A deputada classificou o início de 2026 como preocupante e citou a confirmação de três feminicídios apenas no mês de janeiro, sendo dois em Manaus e um no interior, além de outros dois casos ainda sob investigação.
Como Procuradora Especial da Mulher da Aleam, Alessandra Campelo apresentou um balanço das ações do órgão em janeiro, quando foram realizados 178 atendimentos, incluindo acompanhamentos psicossociais e jurídicos, visitas domiciliares e encaminhamentos para serviços de saúde.
Por fim, a parlamentar informou que seu mandato participa da elaboração de um plano estadual de enfrentamento à violência contra a mulher e afirmou ter solicitado ao governador Wilson Lima medidas mais rigorosas e visíveis. Segundo ela, a violência contra mulheres deve ser tratada como uma prioridade permanente, diante do impacto social e humano causado pelos crimes.