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Acidente entre trens na Espanha deixa 39 mortos e abre investigação sobre trilhos

Técnicos encontraram junta solta na via e sindicato já havia alertado sobre desgaste.

19 de Janeiro de 2026
Foto: Reprodução / X

Um acidente entre dois trens de alta velocidade na Espanha deixou 39 mortos e cerca de 100 feridos, alguns em estado grave, após um dos veículos descarrilar e colidir com outro que trafegava na via oposta. A tragédia ocorreu no domingo (18), em Adamuz, perto de Córdoba, e mobilizou equipes de resgate durante a noite, além de provocar retiradas em massa na região.

Segundo as informações reunidas pelas autoridades, o trem Iryo 6189 saiu de Córdoba com destino a Madri e, após sair dos trilhos, invadiu a linha contrária, onde atingiu um trem da Renfe que seguia no sentido oposto. O trem da Iryo transportava mais de 300 passageiros, enquanto o da Renfe levava cerca de 100.

Entre as vítimas está o maquinista de um dos trens, que fazia o percurso de Madri a Huelva, conforme a emissora estatal RTVE. Moradores da cidade, que tem cerca de 5 mil habitantes, ajudaram a montar um centro de acolhimento para passageiros, levando comida e cobertores, segundo a imprensa local.

Com o avanço das apurações nesta segunda-feira (19), equipes que investigam as causas do desastre encontraram uma junta solta no trilho por onde um dos trens passou, segundo uma fonte da investigação ouvida pela agência Reuters. Técnicos que vistoriaram o local identificaram desgaste na junta entre as seções do trilho, conhecida como talão de junção, e avaliaram que o problema já existia havia tempo.

Os investigadores afirmaram ainda que a falha pode ter criado uma folga entre as seções do trilho, que aumentou à medida que os trens passavam sobre a via, embora a causa ainda não esteja confirmada.

A Comissão Espanhola de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), responsável pela apuração geral, não havia se pronunciado sobre a descoberta até a última atualização. A Adif, operadora do trecho, e o Ministério dos Transportes espanhol também não se manifestaram.

Já o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, disse à rádio Cadena Ser que era cedo para apontar o motivo do acidente, mas afirmou que a colisão aconteceu em “condições estranhas” e que “o erro humano está praticamente descartado”.

Ainda nesta segunda, a Reuters informou ter tido acesso a uma carta enviada em agosto de 2025 pelo Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários (Semaf) à Adif, na qual a entidade alertava para um “grave desgaste” nas linhas de alta velocidade, incluindo o trecho onde ocorreu o choque. O documento citava buracos, irregularidades e desequilíbrios na fiação aérea, além de afirmar que os maquinistas comunicavam as preocupações “diariamente”, sem que providências fossem adotadas.

 

Com informações da Agência Reuters*

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