Sexta-Feira, (06 de Novembro de 2026)
Meio Ambiente

2026 pode ser segundo ano mais quente da história

Dados do observatório europeu Copernicus revelam recorde de calor em outubro, avanço do El Niño e risco de agravamento da crise climática às vésperas da COP31.

Por: Portal Amz em Pauta
06 de Novembro de 2026
Foto: Copernicus Climate Change Service (C3S)/ECMWF.

O ano de 2026 caminha para se tornar o segundo mais quente já registrado no planeta, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. O levantamento aponta que existe 80% de probabilidade de 2026 ocupar a segunda posição no ranking histórico de temperaturas globais, ficando atrás apenas de 2024. Os pesquisadores também calculam uma chance de 20% de que o ano iguale ou supere o recorde anterior. A divulgação ocorre às vésperas da COP31, conferência mundial do clima que começa na segunda-feira (9), em Antália, na Turquia.

O relatório revelou que outubro de 2026 foi o mês de outubro mais quente da história, com temperatura média global de 15,35°C, aproximadamente 1,75°C acima dos níveis registrados no período pré-industrial, entre 1850 e 1900. Foi o terceiro mês consecutivo em que a temperatura média do planeta ultrapassou a marca de 1,5°C. Segundo o Copernicus, o aquecimento observado reforça a tendência de recordes climáticos recentes e demonstra a intensidade das alterações no sistema climático global.

As projeções indicam que a temperatura média de 2026 deverá terminar entre 1,56°C e 1,61°C acima dos níveis pré-industriais. O modelo estatístico utilizado pelo Copernicus aponta uma probabilidade superior a 99% de que o ano ultrapasse 1,5°C de aquecimento, tornando-se o segundo ano completo a superar esse patamar, depois de 2024. O observatório também alerta que a média dos quatro anos entre 2023 e 2026 deverá ficar acima desse nível, evidenciando a continuidade do aquecimento global.

Os oceanos também apresentaram temperaturas excepcionais. Em outubro, a média da superfície dos mares fora das regiões polares chegou a 20,95°C, estabelecendo um novo recorde para o mês. No Oceano Pacífico, a região monitorada para identificar o fenômeno El Niño registrou uma anomalia térmica de 3,21°C, superando marcas observadas durante episódios anteriores de grande intensidade. O fenômeno contribui para elevar temporariamente as temperaturas globais, mas atua sobre um planeta que já está mais quente devido ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

O cenário aumenta a preocupação da comunidade científica com os objetivos do Acordo de Paris, firmado em 2015 para limitar o aquecimento global a um nível bem abaixo de 2°C e buscar esforços para restringi-lo a 1,5°C. Embora a ultrapassagem dessa marca em um ano isolado não signifique que o limite de longo prazo tenha sido definitivamente rompido, a persistência de temperaturas elevadas demonstra a dificuldade de controlar o avanço das mudanças climáticas. A principal causa do aquecimento continua sendo a emissão de gases de efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis.

Os novos dados serão um dos principais alertas apresentados no contexto da COP31, marcada para ocorrer de 9 a 20 de novembro, na Turquia. O encontro reunirá representantes de governos e organizações internacionais para discutir a redução das emissões, o financiamento climático e medidas de adaptação aos impactos ambientais. A conferência será presidida pela Turquia, enquanto a Austrália ficará responsável pela condução das negociações. A expectativa é que o avanço das temperaturas aumente a pressão por compromissos mais ambiciosos para enfrentar a crise climática.

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