Brasil

2026 marca despedida dos orelhões e Anatel inicia retirada nas grandes cidades

Agência começa recolhimento de 30 mil carcaças e encerra ciclo da telefonia pública.

11 de Janeiro de 2026
Foto: Reprodução / Internet

O ano de 2026 marca oficialmente o início do fim dos orelhões no Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações deu início à operação de retirada dos aparelhos das ruas das grandes cidades, com a previsão de recolher cerca de 30 mil carcaças espalhadas por vias públicas em todo o país.

Para muitos brasileiros, o desaparecimento dos telefones públicos ainda causa estranhamento e nostalgia. A lojista Branca Soki, de 47 anos, relembra o papel dos orelhões no cotidiano entre as décadas de 1970 e o início dos anos 2000.
"Você tinha que andar com a ficha e ela era um presente, porque você poderia ligar pra quem você quisesse, mesmo sendo criança. E aí você enfrentava a fila no orelhão, tinha gente que estava batendo papo, aí você conhecia as pessoas na fila e era muito bacana. Era a forma que tínhamos pra se comunicar antigamente. E outro dia eu me peguei tirando uma foto de um orelhão, porque eu usava muito e hoje em dia a gente nem vê direito mais."

A retirada dos aparelhos ocorre com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos orelhões, que deixam de ser obrigadas a manter telefones públicos. Com isso, a partir deste mês de janeiro, a remoção das estruturas passa a ser intensificada em ruas e avenidas de todo o Brasil.

Como compensação, as empresas deverão direcionar investimentos para redes de banda larga ou de telefonia móvel. Alguns aparelhos ainda poderão permanecer instalados até 2028, exclusivamente em localidades onde não exista outro serviço de telefonia disponível.

Renata Nunes, que viveu no interior, recorda que os orelhões eram essenciais para manter contato com familiares na capital.
"Como eu morava no interior e eu tinha parentes como irmãs e irmãos morando na capital eu tinha o hábito de ligar pra eles. A gente queria saber notícias e como eles estavam. E também conversava com alguns colegas, alguns amigos da cidade."

João Soares conheceu os orelhões ainda na década de 1970 e sentiu falta da facilidade de comunicação quando se mudou para o Iraque anos depois.
"Porque antes do orelhão você tinha que ir pra uma central telefônica e enfrentar filas imensas. Aquele monte de gente querendo falar, igual foi no Iraque. E no orelhão não. Na esquina que você passasse e tivesse um orelhão e você com fichas no bolso, parava e fazia qualquer ligação."

Nas redes sociais, Nélio Lopes relembrou o papel comunitário dos aparelhos, especialmente para quem morava próximo a eles.
"Quem morava em frente ao telefone orelhão tinha a responsabilidade de atender quando tocava, de passar os recados, de chamar as pessoas. Esse momento aqui foi de uma geração raiz. A gente atendia 'Alô! Quem está falando? Dona Maria tudo bem? Aqui é o Nélio. Fala pra mamãe que mora bem do ladinho da senhora. Não tem? Sim Dona Luzia. Fala pra Dona Luzia que daqui dez minutinho eu vou ligar pra ela, está bom? Tá obrigado. Assim comunicávamos."

Wanderley dos Santos lamenta o fim definitivo dos orelhões e destaca a simplicidade do serviço em comparação com a telefonia atual.
"É até estranho hoje passar e ver um orelhão. Até pouco tempo eu tentei usar alguns, mas nenhum deles funciona. Você achou que um dia a gente ia parar de usar orelhão? Nunca! Hoje, o nosso telefone é o celular e ele é muito caro, cada vez mais caro e você é obrigado a atualizar. E o orelhão era tão simples. Era só ficha, cartão... é uma pena que acabou, né?"

Segundo a Anatel, não há mais produção de cartões telefônicos e os pontos de venda são raríssimos. A agência determina que, na ausência de cartões, os orelhões remanescentes devem permitir ligações locais e nacionais gratuitas para telefones fixos.

Atualmente, pouco mais de 2 mil orelhões ainda permanecem instalados em ruas de todo o Brasil. A lista completa com os endereços desses aparelhos pode ser consultada no site oficial da Anatel.

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