Espetáculo reúne teatro, performance e Libras para abordar experiências trans e dissidentes de gênero.
O espetáculo cênico-performativo “Travessias” estreia em Manaus nos dias 25 e 28 de julho e 5 de agosto de 2026, no Teatro Gebes Medeiros, no Centro. Com uma proposta bilíngue em português e Língua Brasileira de Sinais (Libras), a montagem aborda deslocamentos físicos, simbólicos e afetivos vividos por pessoas travestis, trans e dissidentes de gênero.
Com dramaturgia de Mariellen Kuma e atuação de Kuma e Alencar, a obra combina teatro, performance, vídeo, projeções, ações corporais e interação direta com o público. A narrativa é dividida em quatro fases: Prelúdio, Disforia Mundi, Encontro e Mesa de Bar.
Ao longo do espetáculo, as artistas apresentam as diferenças de reconhecimento social entre pessoas cisgênero e trans. A montagem também propõe reflexões sobre pertencimento, isolamento, coletividade e os caminhos construídos por pessoas que enfrentam normas sociais relacionadas ao gênero.
A Libras ocupa um lugar central na apresentação. Uma das artistas se comunica integralmente por meio da língua de sinais, que não aparece apenas como recurso de acessibilidade, mas como parte da linguagem artística e da construção narrativa do espetáculo.
Para Alencar, a expectativa é que o público deixe o teatro impactado pelas experiências apresentadas. “Em cena, as minhas mãos assumem o protagonismo por meio da Língua de Sinais. Isso carrega um significado muito profundo, porque foram justamente as minhas mãos que, aos quatro anos de idade, sofreram a violência do racismo, sendo perfuradas com lápis e tesouras. Hoje, elas ocupam outro lugar: o da linguagem, da arte e da resistência”, afirma.
A dramaturgia utiliza definições em formato semelhante ao de um dicionário, projetadas em um telão. A estratégia transforma conceitos relacionados ao corpo e ao gênero em uma escrita poética e política, questionando interpretações consideradas normativas.
Em cena, as duas artistas constroem um percurso marcado pela escuta das mães, pelas tentativas de adequação e pelo cansaço provocado pela negação social. O encontro entre elas rompe a lógica do isolamento e apresenta a coletividade como uma possibilidade de acolhimento e reparação.
A montagem também ressignifica a palavra “trava”, apresentada como um elemento de invenção e transformação. A travessia deixa de ser tratada como um destino definitivo e passa a representar um processo contínuo, construído por meio da convivência e da troca de experiências.
Na parte final, o espetáculo rompe a chamada quarta parede, que tradicionalmente separa artistas e espectadores. O espaço teatral é transformado em um bar, enquanto o público passa a participar da apresentação como interlocutor.
Nesse momento, a pergunta “o que é gênero?” circula entre artistas e espectadores. A proposta utiliza conversas, afetos e relações de convivência para aproximar quem observa das experiências apresentadas em cena.
De acordo com a sinopse, “Travessias” acompanha duas artistas que atravessam definições, corpos e expectativas. A obra apresenta a disforia como consequência da negação social e o encontro como possibilidade de reparação, convidando o público a participar da reflexão.
As apresentações serão realizadas no Teatro Gebes Medeiros, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus. Mais informações sobre o espetáculo podem ser consultadas no perfil @kumayogacriacao, no Instagram.
Serviço
Espetáculo: “Travessias”
Datas: 25 e 28 de julho e 5 de agosto de 2026
Local: Teatro Gebes Medeiros
Endereço: Avenida Eduardo Ribeiro, s/n, Centro, Manaus
Informações: Instagram @kumayogacriacao