Economia

Setor mineral cresceu 9,1% em 2024

Alta foi influenciada pela valorização do dólar e pelo desempenho do ferro, que representou quase 60% do faturamento do setor

06 de Fevereiro de 2025
Foto: José Cruz/Agencia Brasil

O setor mineral brasileiro faturou R$ 270,8 bilhões em 2024, um crescimento de 9,1% em relação ao ano anterior. O balanço, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), aponta que a valorização do dólar e o desempenho do minério de ferro foram os principais fatores responsáveis pelo avanço. 

De acordo com Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram, o faturamento com o minério de ferro registrou alta de 8,6%, mesmo com a queda de 9% no preço da tonelada no mercado internacional. “Nós tivemos um aumento em termos de produção do minério de ferro e, por conta disso, tivemos também um aumento em termos de faturamento”, explicou. O minério de ferro continua sendo a principal commodity do setor, representando 59,4% do faturamento total e 68,7% das exportações. 

Além do ferro, o balanço do Ibram apontou crescimento expressivo no faturamento do cobre (25,2%) e do ouro (13,3%), impulsionado pelo aumento dos preços internacionais. 

Minas Gerais e Pará lideram faturamento 

Os dois principais estados mineradores do Brasil, Minas Gerais e Pará, responderam por 76% de todo o faturamento do setor. Minas faturou R$ 108,3 bilhões, enquanto o Pará arrecadou R$ 97,6 bilhões. Na sequência, aparecem São Paulo (R$ 10,3 bilhões), Bahia (R$ 10,1 bilhões) e Goiás (R$ 9,6 bilhões). 

Jungmann destacou a presença de São Paulo na terceira posição, o que ele considerou uma surpresa. Segundo ele, o crescimento do estado foi impulsionado pela alta demanda por agregados da construção civil em 2024. 

Alta na arrecadação e novos investimentos 

O relatório do Ibram também revelou que a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como o “royalty do minério”, cresceu 8,6%. O valor passou de R$ 6,9 bilhões em 2023 para R$ 7,4 bilhões em 2024. 

Já a previsão de investimentos para o setor nos próximos anos aumentou 6%, passando de R$ 64,5 bilhões (2024-2029) para R$ 68,4 bilhões (2025-2029). “Cresceu as estimativas de investimentos em termos de logística, cresceu em termos de projetos relacionados ao ferro e cresceu também em termos socioambientais”, afirmou Jungmann. 

Balança comercial do setor tem superávit de R$ 34,95 bilhões 

O setor mineral fechou 2024 com um superávit de R$ 34,95 bilhões, o que representou 47% da balança comercial do Brasil. As exportações cresceram 0,9%, passando de R$ 43,04 bilhões em 2023 para R$ 43,43 bilhões no último ano. Por outro lado, as importações recuaram 23,1%, totalizando R$ 8,48 bilhões em 2024, contra R$ 11,02 bilhões no ano anterior. 

Segundo Jungmann, a redução das importações foi influenciada pela alta do dólar e pelo impacto da guerra entre Ucrânia e Rússia desde 2022. “Em decorrência do conflito, houve muita antecipação de compras nos últimos anos, que efetivamente não se repetiram em 2024. Houve uma maior precaução, as empresas fizeram estoques, particularmente no que diz respeito ao potássio, fosfato, carvão, por exemplo, que são os principais itens de importação da mineração brasileira e também de outros setores que os utilizam como insumos”, explicou. 

Impacto do governo Trump no setor mineral 

O diretor-presidente do Ibram minimizou os possíveis impactos da posse de Donald Trump nos Estados Unidos para o setor mineral brasileiro. Ele destacou que a maior parte das exportações do Brasil está direcionada para a Ásia, especialmente para a China, reduzindo eventuais efeitos de políticas protecionistas norte-americanas. 

“Hoje, 80% das nossas exportações são dirigidas para a Ásia e particularmente para a China. Então, isso já reduz de certa forma o impacto caso o governo dos Estados Unidos tome esta direção. Além disso, mesmo que venha um tarifaço, precisamos entender se alcançará o Brasil e se será geral ou se será seletivo, afetando apenas sobre alguns produtos”, afirmou Jungmann. 

Minerais críticos e transição energética 

Jungmann também comentou sobre a crescente demanda por minerais críticos, essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Ele destacou que materiais como cobre, silício, níquel e lítio são fundamentais para setores como energia eólica, painéis solares e baterias elétricas. 

“Nós estávamos fazendo parcerias e já conversando de forma avançada com os Estados Unidos, tendo em vista a questão climática. Agora, pelos primeiros sinais da administração Trump, estamos percebendo que muda a direção, mas o interesse em minerais críticos continua, porém com foco na defesa e na inovação tecnológica, onde eles também são essenciais”, afirmou. 

Ele reforçou que, mesmo sem os Estados Unidos, a demanda global por esses minerais continuará crescendo, principalmente na Europa. “Hoje não há nenhuma possibilidade de superarmos a emergência energética e passar para uma sociedade neutra sem os minerais. Sem eles, não tem baterias, não tem carros elétricos, não tem placas fotovoltaicas. O petróleo só fala para trás, porque ele é fóssil, enquanto que nós falamos para frente. 

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