Ciência e Tecnologia

'Refrigerante sólido' pode revolucionar o ar-condicionado e reduzir emissões em até 75%

Diferentemente dos gases hoje utilizados em aparelhos de ar-condicionado, os refrigerantes sólidos — capazes de variar sua temperatura em mais de 50 °C sob pressão — não são liberados na atmosfera.

26 de Maio de 2025

O aumento das temperaturas médias globais, resultado direto das mudanças climáticas, deve impulsionar ainda mais o uso de aparelhos de ar-condicionado. Além do maior consumo de energia, isso também pode intensificar a liberação de gases de efeito estufa — emitidos pelos fluidos refrigerantes tradicionais.

Para contornar esse problema, pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estão desenvolvendo uma solução inovadora: o chamado “refrigerante sólido”. Com uma textura macia, semelhante à da cera, esse material apresenta propriedades incomuns que podem viabilizar uma nova geração de sistemas de refrigeração.

Diferentemente dos gases hoje utilizados em aparelhos de ar-condicionado, os refrigerantes sólidos — capazes de variar sua temperatura em mais de 50 °C sob pressão — não são liberados na atmosfera. A equipe busca agora identificar os materiais mais eficientes dentro dessa classe, que já é bem conhecida pela indústria química e relativamente fácil de obter.

O funcionamento do sistema ocorre a partir de um fenômeno invisível: a movimentação de cristais compostos por moléculas que giram sobre si mesmas. Quando submetidas à pressão, essas moléculas têm seu movimento bloqueado, dissipando energia na forma de calor. Ao serem liberadas, o movimento retorna, provocando a redução da temperatura ao redor. Esse processo é conhecido como efeito barocalórico.

Segundo os pesquisadores, esse novo sistema pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 75% em comparação com os aparelhos convencionais, além de oferecer maior eficiência energética.

O estudo também está na base de uma startup criada pelos próprios cientistas, a Barocal, que pretende levar a tecnologia ao mercado. O primeiro protótipo já foi desenvolvido: tem o tamanho de uma mala grande e produz um ruído considerável ao ser ligado.

O próximo passo da equipe é aprimorar o dispositivo, diminuindo seu tamanho, peso e nível de ruído. A expectativa da Barocal é lançar o primeiro produto comercial dentro de três anos.

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