Quarta-Feira, (30 de Setembro de 2026)
Saúde

Menopausa deixa sinais no sangue ligados ao envelhecimento cerebral

Estudo publicado na Nature Medicine associa alterações em proteínas sanguíneas a pior desempenho cognitivo e maior risco de Alzheimer, mas não prova relação de causa.

Por: Portal Amz em Pauta
30 de Setembro de 2026
Foto: Freepik

A menopausa pode deixar uma espécie de “assinatura” no sangue associada ao envelhecimento do cérebro e a um risco ligeiramente maior de demência por Alzheimer ao longo da vida. É o que mostra um estudo publicado em 22 de setembro na revista científica Nature Medicine, com dados de quase 15 mil mulheres acompanhadas em diferentes grupos de pesquisa. Os autores, porém, ressaltam que os resultados indicam associação e não comprovam que a menopausa cause Alzheimer.

Na primeira etapa, os pesquisadores analisaram 80 mulheres entre 43 e 58 anos, divididas entre pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa. Foram avaliadas 118 proteínas no sangue, e 16 apresentaram níveis mais elevados após a menopausa. Essas proteínas estão ligadas a processos inflamatórios, funcionamento das sinapses, metabolismo e mecanismos biológicos relacionados à doença de Alzheimer. A assinatura molecular acompanhou as alterações hormonais com mais força do que a própria idade cronológica.

A pesquisa também utilizou dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações de saúde do mundo. Entre 11.059 mulheres acompanhadas por uma média de 15,7 anos, aquelas com pontuações mais altas no perfil proteico associado à menopausa apresentaram risco 15% maior de desenvolver demência por Alzheimer. O estudo não encontrou associação significativa com demência vascular, frontotemporal ou demência por todas as causas.

Os cientistas também observaram que mulheres com pontuações mais altas nesse conjunto de proteínas tiveram pior desempenho cognitivo ou declínio mais rápido em diferentes grupos analisados. Ainda assim, o aumento de risco encontrado é relativo e não significa que uma mulher com esse perfil necessariamente desenvolverá Alzheimer. Os próprios autores destacam que os marcadores não têm, neste momento, valor para diagnóstico individual.

Outro ponto identificado foi a relação entre sintomas da menopausa e inflamação. Mulheres que relataram ondas de calor, suor noturno e alterações do sono apresentaram níveis mais altos de algumas proteínas inflamatórias. Isso não significa que esses sintomas sejam sinais de Alzheimer, mas pode indicar que a transição hormonal provoca mudanças sistêmicas capazes de permanecer no organismo por anos.

O estudo também não avaliou se a terapia de reposição hormonal reduz o risco de demência. Por isso, os resultados não sustentam o uso de hormônios com o objetivo de prevenir Alzheimer. A pesquisa aponta apenas caminhos biológicos que poderão ser investigados em estudos futuros.

Entre as principais limitações estão o número reduzido de participantes na etapa inicial e o fato de hormônios e proteínas terem sido medidos em momentos específicos, sem acompanhamento contínuo de todas as mulheres durante a transição para a menopausa. Os pesquisadores afirmam que estudos maiores e de longa duração serão necessários para entender se essas proteínas apenas refletem o envelhecimento ou participam diretamente do processo de neurodegeneração.

Por enquanto, a principal conclusão é que a menopausa pode representar uma fase importante para compreender o envelhecimento feminino e a saúde cerebral. A descoberta ajuda a investigar por que mulheres apresentam maior risco de Alzheimer, mas ainda não muda as recomendações clínicas nem permite prever quem desenvolverá a doença.

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