Política

Lula sinaliza diálogo, mas governo cobra preparo para falar com Trump

Presidente dos EUA disse estar aberto à conversa; tarifas de 50% começam dia 6 de agosto.

04 de Agosto de 2025
Foto: Reprodução / Internet

Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar na última sexta-feira (1º) que Lula poderia falar com ele "quando quisesse", o governo brasileiro avalia com cautela a possibilidade de um diálogo direto sobre o tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros. O Itamaraty considera que uma ligação entre chefes de Estado exige preparação diplomática, e não deve ocorrer de forma improvisada.

As novas tarifas entram em vigor na próxima quarta-feira (6) e afetam itens como café, carne, pescados e frutas, que ficaram fora da lista de 700 produtos isentos da medida anunciada por Trump. A resposta brasileira busca atenuar os impactos econômicos da decisão.

Nesta segunda-feira (4), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, vai se reunir com representantes do setor de alimentos para tratar do impacto das tarifas. A equipe econômica do governo também trabalha em medidas emergenciais de apoio às empresas brasileiras atingidas pela nova política comercial dos EUA.

Durante evento do PT no domingo (3), Lula reafirmou estar aberto ao diálogo, mas fez críticas diretas à postura de Washington:

“É o país mais bélico do mundo, é o país mais tecnológico do mundo, maior economia do mundo, mas nós queremos ser respeitados pelo nosso tamanho. Nós temos interesses econômicos, temos interesses estratégicos, nós queremos crescer e nós não somos uma republiqueta. Tentar colocar um assunto político para nos taxar economicamente é inaceitável, é inaceitável.”

No mesmo discurso, Lula voltou a defender a criação de uma moeda alternativa ao dólar para as transações comerciais entre os países do BRICS, uma proposta que, segundo analistas, pode ter influenciado o mal-estar com o governo Trump:

“Eu não vou abrir mão de achar que a gente precisa procurar construir uma moeda alternativa para que a gente possa negociar com os outros países. Eu não preciso ficar subordinado ao dólar. Eu não estou falando isso agora, não. Em 2004, nós fizemos isso com a Argentina, em 2004.”

A expectativa para os próximos dias é de que o governo brasileiro siga articulando diplomaticamente e economicamente uma resposta à medida, enquanto aguarda eventual abertura para diálogo direto com os Estados Unidos.

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