Proposta será enviada à Casa Civil e envolve responsabilização administrativa e judicial de envolvidos.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está elaborando uma proposta de Plano de Ressarcimento Excepcional para os aposentados e pensionistas que foram vítimas de descontos não autorizados por entidades associativas. A medida foi discutida em reunião na tarde da última sexta-feira (2), conduzida pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e que contou com a presença do novo presidente do INSS.
"A proposta está em fase final de elaboração e, tão logo seja concluída, será submetida no início da próxima semana à Casa Civil da Presidência da República, para posterior apresentação ao Conselho Nacional de Justiça, ao Ministério Público Federal e à Defensoria Pública da União", informou a AGU, em nota.
Para lidar com o problema, a Advocacia-Geral da União instituiu um Grupo Especial, com apoio da Dataprev e do próprio INSS, voltado à resolução dos prejuízos causados a milhões de aposentados e pensionistas. A devolução dos valores cobrados indevidamente foi uma ordem direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mencionou o tema em pronunciamento recente em cadeia nacional de rádio e TV.
Durante a reunião, o novo presidente do INSS anunciou que irá determinar a abertura de Procedimentos Administrativos de Responsabilização de Pessoas Jurídicas (PAR), com base na Lei nº 12.846/2013 — a chamada Lei Anticorrupção — contra entidades investigadas por envolvimento com propina a agentes públicos, além daquelas apontadas como entidades de fachada.
Também foi informado que Jorge Messias, da AGU, determinou a instauração de procedimentos preparatórios para ações de improbidade administrativa.
"Os denominados Procedimentos de Instrução Prévia (PIP) investigarão as condutas dos agentes públicos e das pessoas jurídicas objeto de apuração na Operação Sem Desconto com vistas à plena responsabilização administrativa dos envolvidos", disse a pasta.
Troca no Ministério da Previdência
Ainda na sexta-feira, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão após reunião com o presidente Lula no Palácio do Planalto. Para substituí-lo, foi nomeado o ex-deputado federal Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da pasta e indicado pelo PDT, partido comandado pelo próprio Lupi.
A mudança acontece uma semana após a deflagração de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que investiga um suposto esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados.
As irregularidades, segundo a investigação, tiveram início em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, e se estenderam nos anos seguintes.
Crise no INSS e avanço no Congresso
Antes disso, o escândalo já havia causado a exoneração do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além do afastamento de quatro dirigentes da autarquia e de um policial federal lotado em São Paulo.
Parlamentares da oposição apresentaram na quarta-feira (30) um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar sindicatos envolvidos nas fraudes com mensalidades.
A PF informou que há indícios de irregularidades envolvendo parte dos cerca de R$ 6,3 bilhões movimentados por cobranças associativas entre 2019 e 2024. Auditorias divulgadas pela CGU e pelo próprio INSS, iniciadas ainda em 2023, também detectaram inconsistências e falhas nos procedimentos relacionados ao tema.
Com informações da Agência Brasil.