Mercado reage a medida dos EUA para exportações brasileiras; Ibovespa cai.
O dólar subiu com força nesta quinta-feira (10) e chegou a R$ 5,6213, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto. Por volta das 10h15, a moeda operava em alta de 0,88%, cotada a R$ 5,5509.
Na véspera, o dólar já havia avançado 1,06%, fechando a R$ 5,5032. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também recuou 0,99% nesta manhã, aos 136.124 pontos, após ter fechado a quarta-feira em queda de 1,31%.
A medida de Trump, considerada por analistas como de forte teor político, causou apreensão no mercado financeiro. O presidente norte-americano citou o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua justificativa e classificou o julgamento dele no Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “vergonha internacional”.
O economista e Nobel Paul Krugman afirmou que não seria a primeira vez que os EUA usam tarifas como ferramenta política.
Em resposta, o presidente Lula prometeu reagir com base na Lei da Reciprocidade Econômica e convocou reunião com ministros para tratar do tema.
Com o novo tarifaço, o Brasil passa a ter a maior taxa entre as 22 nações notificadas por Trump desde o início da semana. Entre os setores mais impactados estão petróleo, aço, café e carne bovina, que lideram as exportações brasileiras aos EUA.
A carta de Trump também alega que as tarifas brasileiras são “injustas” e que o comércio entre os dois países gera um “déficit insustentável” para os EUA. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento do Brasil mostram o contrário: o país registra déficits comerciais consecutivos com os americanos desde 2009.
Indicadores
• Dólar
• Semana: +1,46%
• Mês: +1,28%
• Ano: -10,95%
• Ibovespa
• Semana: -2,68%
• Mês: -0,99%
• Ano: +14,30%
Inflação estoura meta
Além do impacto externo, o mercado local também repercute o IPCA de junho, que subiu 0,24%, acumulando 5,35% em 12 meses — acima da meta de 4,50%. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deverá encaminhar uma nova carta explicando o estouro ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.