Brasil

Chile passará a importar carne suína do Paraná após reconhecimento sanitário

País autorizou compra após considerar o estado livre de febre aftosa sem vacinação; Brasil também abre mercado para mel chileno.

22 de Abril de 2025
Foto: Divulgação / Governo Federal

O Chile reconheceu o Paraná como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o que abre caminho para a importação de carne suína de produtores do estado. O anúncio oficial deve ser feito entre esta terça-feira (22) e quarta-feira (23), durante a visita da comitiva do presidente chileno Gabriel Boric ao Brasil. 

A decisão foi antecipada pelo ministro da Agricultura chileno, Esteban Valenzuela. 
“Reconhecemos que o Paraná está livre de febre aftosa e, portanto, poderemos receber carnes deste estado muito importante do sul do Brasil”, anunciou Valenzuela, por meio das redes sociais. 

Segundo o ministro, a medida integra um esforço para fortalecer as relações comerciais entre os dois países, especialmente no setor agropecuário. Ele informou ainda que o Chile segue negociando a compra de carne com outros estados brasileiros que atendam às exigências fitossanitárias do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) chileno. 

O reconhecimento do status sanitário do Paraná era uma demanda antiga do setor. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Luis Rua, “este é um pleito muito antigo do estado [Paraná] […] e, logo, logo, as empresas paranaenses deverão estar exportando carne suína para o Chile”, declarou, destacando a importância do anúncio. 

Em 2024, o Paraná foi o terceiro maior exportador de carne suína entre os estados reconhecidos como livres da doença. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa), o Brasil exportou, em 2023, 1,352 milhão de toneladas de carne suína (in natura e processada), um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, com receita de US$ 3,03 bilhões. 

Desse total, o Paraná respondeu por 185,5 mil toneladas, ficando atrás apenas de Santa Catarina (730,7 mil toneladas) e do Rio Grande do Sul (289,9 mil toneladas). 

Brasil autoriza entrada de mel chileno 

Em contrapartida à decisão chilena, o Brasil abriu seu mercado para o mel produzido no Chile. 
“Há uma grande notícia para nosso [chileno] setor apícola. O Brasil decidiu autorizar o ingresso [em território brasileiro] de nossas exportações de mel”, acrescentou Valenzuela. 

Combate à febre aftosa 

Desde 2021, a Organização Mundial de Saúde Animal(Omsa) reconhece o Paraná como livre de febre aftosa sem vacinação, junto com Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso. Na época, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) destacou que o reconhecimento “coloca o Paraná em um outro patamar, permitindo-o acessar mercados que pagam mais pelos produtos com essa chancela de qualidade." 

Em maio de 2024, o governo brasileiro declarou que todo o rebanho nacional está livre da doença, após o encerramento da última campanha de vacinação. A autodeclaração é uma etapa fundamental para que a Omsa reconheça oficialmente o status de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação.

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