Peça de Ariano Suassuna, símbolo da cultura nordestina, é reeditada pela Nova Fronteira
A editora Nova Fronteira lançou uma edição especial para celebrar os 70 anos de "Auto da Compadecida", a icônica obra de Ariano Suassuna. Publicada pela primeira vez em 1955, a peça, escrita em três atos, recria no formato de um Auto algumas das mais populares histórias de cordel, mesclando humor, tradição e crítica social.
Suassuna, um dos maiores defensores da cultura nordestina, usou sua obra para exaltar as tradições populares do Brasil, e foi um dos criadores do Movimento Armorial, que visava integrar a arte erudita às raízes culturais populares. "Auto da Compadecida" conta as desventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que vivem de golpes para sobreviver, trazendo elementos da literatura de cordel, comédia e influências do barroco católico brasileiro, além das tradições religiosas do sertão.
O sucesso da peça fez com que Ariano Suassuna se tornasse um nome conhecido em todo o Brasil, especialmente após a adaptação cinematográfica de 2000, dirigida por Guel Arraes, com atuações memoráveis de Matheus Nachtergaele, Selton Mello e Fernanda Montenegro. Em 2024, o filme ganhou uma continuação que se tornou a maior estreia do cinema nacional desde a pandemia.
Lançamento inédito: "O Pasto Incendiado"
Além da edição comemorativa de "Auto da Compadecida", a Nova Fronteira anunciou o lançamento de "O Pasto Incendiado", uma coletânea da obra poética de Suassuna, que reúne material inédito e foi organizada pelo professor Carlos Newton Júnior, da Universidade Federal de Pernambuco. O livro busca consolidar Suassuna como um dos maiores poetas da literatura brasileira, e é ilustrado por Manuel Dantas Suassuna, com design de capa criado por Ricardo Gouveia de Melo.
O lançamento tem como objetivo afirmar definitivamente o legado poético de Ariano Suassuna, destacando sua importância não apenas como dramaturgo, mas também como poeta.